Este blog foi montado com o intuito de retratar experiências de professores de SwáSthya Yôga que dedicam suas vidas a praticar, ensinar e difundir esta fantástica filosofia de vida.



terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Surpresas agradáveis





Você sabe o que é surpreender-se todos os dias com seu aprimoramento?

Perceber em si próprio novidades, habilidades, funções, alguma coisa interessante ou bonita a seu respeito?

Não é vaidade, delírio ou loucura. É o fato de estar satisfeito consigo mesmo e encantado com a vida!

Este encanto sobre a vida é o resultado de viver uma vida plena. E a vida plena se conquista quando se vive conforme suas legítimas convicções em direção à realização de seus próprios sonhos.

Estas conquistas são fáceis? Podem ser fáceis. Tudo depende de você. Se você sabe quanto lhe custou este estado de felicidade, você vai defendê-lo proporcionalmente ao custo que teve.

Hábitos saudáveis e amigos positivos sempre colaboram para alcançar esta plenitude.

Eu encontrei aos 23 anos de idade o SwáSthya Yôga, quando ainda estava no final do período de mestrado em Engenharia Civil na conceituada Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. E desde então tenho aprendido muito.

O SwáSthya Yôga conta com um amplo leque de técnicas que podem ser classificados como hábitos saudáveis, mas é muito mais do que simplesmente isso. O SwáSthya mostra ao praticante como utilizar suas habilidades, como usar seus 5 sentidos para que as informações do exterior sejam melhor captadas. Só isso amplia as possibilidades de seu cotidiano, de sua vida e porque não dizer de seu futuro.

Como se não bastasse o que se aprende na prática destas poderosas técnicas, as escolas e instituições de SwáSthya Yôga criam um ambiente clean: sem fumo, álcool ou drogas, com pessoas inteligentes, cultas, viajadas. Assim você tem contato com pessoas dinâmicas, otimistas, alegres e tem a chance de ser impulsionado e de poder impulsionar suas vidas. É um convívio muito rico e construtivo!

Desta forma, com hábitos saudáveis e com um ambiente com amigos positivos, a cultura do SwáSthya proporciona que você se surpreenda todos os dias com seu aprimoramento! E esta cultura esta se expandindo e sendo bem aceita no mundo inteiro.


Marcelo Tessari
Instrutor de SwáSthya Yôga em New York


quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O simples e o complexo nas relações humanas



Ah! Como são complexas as relações humanas. Frágeis e imprevisíveis, os relacionamentos determinam em grande parte o sucesso e a felicidade em nossas vidas. E se você for do tipo de pessoa que é determinada a viver para valer, então inevitavelmente precisará dominar a arte do bom relacionamento nos diversos papéis que exerce.

Para nossa sorte apesar das relações serem complexas, os princípios que as regem não são. No fundo, todos sabemos quase que instintivamente quais ingredientes não devem faltar na química dos relacionamentos. Imagino que, na sua receita, a conquista e a manutenção da confiança seria um destes ingredientes, não é verdade?

A confiança faz fluir diálogos mais verdadeiros e, conseqüentemente, nos auxilia na construção de vínculos sólidos e duradouros. Simples? Claro que não, pois conquistar e manter a confiança demanda um longo tempo, enquanto que para perdê-la bastam frações de segundo. É como se trabalhássemos durante anos empilhando uma enorme pirâmide de cartas e, por conta de um maldito espirro, víssemos os nossos esforços desmoronando, abruptamente.

Mas como evitar a incidência de tais momentos trágicos? Se você conseguir relembrar alguns desses eventos em sua vida, possivelmente notará que eles apresentam um padrão em comum: um lapso do discernimento. A mente simplesmente perde a capacidade de sustentar todos os links significativos e, de repente, "Ops! Falei sem pensar." E lá se vai a confiança que tanto nos custou para conquistar... O incrível é que esses lapsos ocorrem por conta de fatores humanos que poderiam ser perfeitamente evitados ou atenuados como, por exemplo, o cansaço físico e a instabilidade emocional. Esta condição, popularmente conhecida com o nome de stress, tem o poder de corromper o discernimento e freqüentemente nos coloca em sérios apuros. A emocionalidade estupidifica e não foram poucas as vezes em nossas vidas que, por conta de um rompante emocional tão abrupto quanto um espirro, vimos um relacionamento valioso desmoronar. Às vezes de forma irreparável.

Se por um lado os relacionamentos são complexos e imprevisíveis, por outro o stress é algo relativamente simples de ser administrado. Respirar de forma mais profunda, aprender a descontrair-se e cultivar hábitos mais saudáveis não são atividades realmente complicadas; apenas exigem um pouco de autoconsciência. Entretanto, autoconsciência não tem nada a ver com “autocontrole”. Aquele que precisa se controlar o tempo todo torna-se uma bomba de retardo e, mais cedo ou mais tarde, acaba explodindo (ou implodindo!). Autoconsciência tem a ver com sabedoria e é conquistada à medida que vamos aprendendo a fazer escolhas mais proativas, escolhas que privilegiam nossa qualidade de vida.

Aqui chegamos à conclusão inexorável: a qualidade do nosso relacionamento interpessoal começa pela qualidade do nosso relacionamento intrapessoal. Portanto, é preciso que reconheçamos a grande responsabilidade que nos cabe na construção e na manutenção de nossas relações.

Pode até parecer complexo mas, na verdade, é bastante simples. Para conquistarmos um bom relacionamento com os outros é preciso, primeiramente, que conquistemos um bom relacionamento com nós mesmos.


Ricardo Mallet


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O Poder da Mente






A física quântica surgiu a partir da necessidade de se fundir teorias que explicam o universo. Teorias que explicavam o relacionamento entre os astros do universo não se aplicavam ao travar contato com partículas subatômicas. Esta nova ciência tem o intuito de descobrir uma teoria que explique o todo, micro - e macroscopicamente. Que se faça valer tanto na escala dos planetas e galáxias, como na dos prótons e elétrons.

Engraçado é que a física quântica acabou por se transformar em uma ciência não tão exata. Cujos resultados são alterados de acordo com a observação. Estes cientistas passaram então a travar contato com conceitos antes não abarcados pela ciência, como o conceito de consciência. De diversos graus de consciência. A possibilidade da existência de outros universos. O poder que a mente têm sobre a matéria. Enfim, as possibilidades tornaram-se infinitas.

Já existem muitos livros bem acessíveis para os leigos neste assunto. Basta visitar uma boa livraria para encontrar diversos volumes sobre o assunto.

Mas agora vamos nos concentrar em um assunto bem específico. Um cientista japonês demonstrou, através de cristais de gelo, a forma como os pensamentos influenciam a forma dos mesmos. Quando se projetaram pensamentos mais densos, como ódio, sobre os recipientes de água, os cristais adquiriram formas disformes, aparentemente deformados. Já ao se projetarem pensamentos mais sutis, como amor, os cristais tinham formas simétricas e perfeitas, lindos.

Em outra experiência, vários personagens considerados como grandes mentes foram reunidos em volta de uma caixa preta que continha um recipiente de água com pH neutro. Um recipiente lacrado. A proposta foi de que, através da força do pensamento, estas pessoas aumentassem o pH da água lacrada dentro da caixa preta. Interessante é que o experimento resultou em sucesso em todas as vezes que foi feito.

Isto prova que nossa mente tem a capacidade de influenciar ativamente a criação e a transformação do universo. Mas mais incrível é chegar à conclusão de que através do poder da mente, pode-se criar o que quiser. Então basta desejar, e o universo nos servirá com um prato cheio do bom e do melhor.

Bem, a verdade não é exatamente esta. Em nossa sociedade somos educados para acreditarmos que somos o que pensamos. Ou que somos apenas diversos compostos químicos funcionando de forma conjunta a partir de diversos estímulos elétricos. Que horror, diga-se de passagem. O resultado disto é que todos são estimulados para utilizar apenas o processo racional e analítico da mente. Ou seja, a mente quer apenas novidades, dispersões, alimentos para que continue funcionando da forma incontrolada como a conhecemos.

Não adianta nada querer receber umas dezenas de barras de ouro, se nos instantes seguintes, já se criam todos os empecilhos necessários para que isto não aconteça. E tudo isto ainda está dentro da sua cabeça. Urge a necessidade de se educar a mente. Devemos conduzi-la, e não nos deixar conduzir como quando se leva um grande cachorro não adestrado para passear.

O Yôga Antigo, através de um sem número de técnicas distribuídas em oito feixes, tem como objetivo conduzir o praticante a um estado de híperconsciência, de megalucidez. Isto significa ultrapassar a instabilidade constante da mente, e ainda mais, torna-la uma ferramenta de evolução pessoal.

Interessante é que muitos conceitos teorizados pela física quântica são abordados de forma prática no Yôga. A mente passa a ser treinada para que se consiga manter o foco em apenas um pensamente, ou onda mental. A tal ponto que este treinamento produza o efeito de saturação mental, que culmina no acesso a níveis de consciência mais expandidos. Por outro lado, técnicas de mentalização passam a ser amplamente utilizadas para se criar diversos moldes mentais. Como fôrmas, que definem diversos aspectos da prática, tanto interna – quanto externamente.

Através de uma filosofia prática como o SwáSthya Yôga, é possível vivenciar efetivamente tais fenômenos associados ao poder da mente, e não apenas ficar restrito a teorização sobre eles.


Claus Haas
www.claushaas.blogspot.com


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Esclarecimentos sobre o tão violentado ahimsá.



Fotógrafo: Eduardo Euksuzian
A pior agressão é aquela que perpetramos a nós mesmos.

Culpa de Gandhi! Não, não é uma música de Gilberto Gil e seu bloco carnavalesco Filhos de Gandhi; é uma simples constatação de que o alicerce da opção do Mahatma de não entrar em conflito bélico com os britânicos para obter a independência da Índia em 1947 se tornou a coqueluche do momento. É, ele mesmo, o tão comentado ahimsá, termo sânscrito que significa literalmente não injuriar ou machucar. Tem sido bastante disseminado nas mais diferentes áreas do conhecimento humano. Mais do que nunca, o voto de ahimsá se faz imprescindível, sobretudo por estarmos vivendo em tempos que carregam nas brumas de seus amanhecer, a gélida lâmina da intolerância. No entanto, é preciso que entendamos um pouco melhor o conceito, até mesmo para aperfeiçoarmos a sua utilização prática.

Conta a lenda de que um monge chamado Bôddhi Dharma tinha que levar as bases do Hinduísmo para a China. Queria ele fazer a travessia sem proteção militar, pois monge que o era, havia feito voto de ahimsá; porém, foi convencido que isso seria suicídio. Gerou-se em um conflito filosófico: tinha que cumprir o seu dharma (dever social), mas não queria ser assassinado. Sentou-se de frente para uma imagem de Shiva e permaneceu lá por semanas, sem sair do lugar, até que em dado momento a imagem se “desprende” e inicia uma dança, prontamente copiada pelo monge. Nas entrelinhas da dança, o monge estava aprendendo a se defender por meio de movimentos sutis, porém bastante eficientes. E então sentiu-se pronto para a peregrinação. Foi, e ao chegar ao seu destino, pessoas curiosas por ele ter conseguido a proeza da realização da caminhada sem armas, perguntaram à ele: como? E ele simplesmente, respondeu: de mãos vazias! O que mais tarde viria a designar o nome de uma difundida arte marcial, o karatê. Esta é uma das primeiras demonstrações de ahimsá que os carcomidos livros da história nos ensinam. Até o famoso Jiu-Jitsu (do qual sou praticante) nasceu de uma estória semelhante e também teve suas origens fundamentadas no conceito da não-violência. Por volta de 2500 a.C na Índia antiga, monges mercadores que precisavam constantemente atravessar as montanhas dos Himalayas eram freqüentemente assaltados pelos ladrões do deserto e como tinham dentro de seus princípios, a não utilização de armas, sentiram a necessidade de desenvolver técnicas de autodefesa e preservação, dando início assim a uma das mais eficazes e inteligentes artes que o mundo já conheceu. Interessante citar, a título de conhecimento e para reforçar o tema de nosso artigo de hoje, que o termo jiu-jitsu, significa arte suave. Elucidativo, não?

Dentro do nosso combatido vegetarianismo, para dar um exemplo, o ahimsá reforça a opção pessoal, visto que a compaixão para com os animais é uma das grandes razões que levam milhares de pessoas diariamente a seguir essa trilha. A não-violência, neste caso, ganha um tom ainda mais dramático (pois refere-se, em grande parte dos casos, à assassinatos completa e imensamente desnecessários), levada por exemplo, ao extremo por grande parte dos seguidores do jainismo, tradição religiosa hindu iniciada por Mahavira por volta do séc. VI a.C. A história nos conta que quando Alexandre, o Grande, invadiu a Índia em torno de 326 a.C, os jainas recusaram a se dirigir à ele enquanto não se despisse de sua armadura, o que para eles, era uma afronta a não-violência. Até hoje é possível vê-los caminhando pelas ruas com máscaras cirúrgicas (para não matar nenhum inseto com a respiração) e varrendo constantemente o chão à sua frente para não correrem o risco de esmagar qualquer tipo de vida; rejeitam vegetais arrancados pela raiz, pois isso causaria a morte de centenas de microorganismos que fazem destes alimentos suas casas. Isso sim é preocupação com qualquer tipo de vida que envolva o planeta!

Não obstante, devemos compreender que o voto de ahimsá não deve ficar limitado à esfera alimentícia e sim ser observado em todas as dimensões que compõe o que chamamos de ser racional. Em minha opinião, ahimsá é, antes de mais nada, um intenso treinamento de tapas, termo sânscrito que significa literalmente calor, arder, mas que comumente é traduzido como auto-superação, pois designa em um certo sentido, um controle sobre nossos condicionamentos. Por exemplo, desde crianças aprendemos, muito mais pela observação (e essa é uma das mais eficazes técnicas de ensino) que é normal e natural fofocar sobre a vida alheia, espargir maledicências sem necessidade, odiar o trabalho que nos dá sustento, reclamar o tempo todo de tudo e de todos, desejar que o outro esteja sempre um degrau abaixo de você, fazer mecanicamente o que não se gosta, e por final, aniquilar qualquer bichinho que cruze o nosso caminho (quem quando criança, nunca pisoteou uma formiga ou exterminou um tatu bola, simplesmente porque era o que todos faziam?). Enfim, todas as situações acima são graus diferentes da não observância de ahimsá. Portanto, para que o nosso voto seja realmente verdadeiro e transformador com relação aos animais, ele deve estar perpetrado amorficamente em nossos corações, sem qualquer restrição ou pré-conceitos, passando por pensamentos, palavras, ações e hábitos. Não pense que a tarefa é fácil, pois não é, e digo isso por experiência própria.

Permita-me escrever uma dica, algumas das que utilizo com meus alunos. Inicie a próxima semana com a idéia de aumentar a percepção com relação à violência presente em sua vida, seja ela qual for, física, mental, emocional, energética etc. Passe toda semana anotando as situações, que de uma forma ou de outra, lhe atrapalharam na disciplina do ahimsá. No final do período proposto, leia o que escreveu e escolha as que considera mais fáceis de se modificar, ou seja, aquelas nas quais provavelmente tenha agido por um impulso emocional, deixando outros atos de violência que já estão impregnados (hábitos) em você para serem resolvidos aos poucos, à medida que for sutilizando seu comportamento em pequenas ações (os pensamentos são mais difíceis e um dos conselhos é praticar meditação) do dia-a-dia.

Para terminarmos por esta edição: reflita sobre tudo aquilo que confronta os seus princípios e valores e saberá o que está lhe fazendo mal, ou de uma certa forma, quebrando o seu valioso pacto com nosso velho herói, o super ahimsá.


Fábio Euksuzian


domingo, 7 de dezembro de 2008

La cuna del Yôga




Foto: flickr, subida originalmente por Khalid Bin Ismail



¿Dónde y cómo nació el Yôga?

Las evidencias arqueológicas demuestran que el Yôga nació hace más de 5.000 años, en el entonces fértil valle del Indo (un territorio hoy compartido por la India y Pakistán) donde habitaba un pueblo de características particulares. Aquella civilización, que se conoce como harappiana, era matriarcal, sensorial y no restrictiva. Esas cualidades fueron adquiridas por el Yôga original y auténtico, y son preservadas por el SwáSthya, que es su sistematización contemporánea.

Citando al Maestro Sérgio Santos, en su libro Yôga, Sámkhya y Tantra, “El Yôga nació en la India, hace más de 5.000 años. Durante esos milenios fue siendo practicado e interpretado en el seno de diferentes culturas que lo moldearon según sus valores y conveniencias. Lo que en los orígenes era sólo un conjunto de técnicas, con el pasar de la historia fue dispersándose hasta la desintegración, fragmentándose en las centenas de tipos de Yôga que existen actualmente.”

Aquella civilización estaba principalmente conformada por la etnia dravídica, que aún existe en la actualidad, localizada al sur de la India y en Sri Lanka. Los drávidas son de baja estatura, de piel muy morena y cabellos oscuros.

Algunas esculturas y sellos hallados en la ciudad de Mohenjo-Daro (uno de los yacimientos arqueológicos más importantes de esta cultura) muestran imágenes relevantes: por ejemplo, la de un hombre sentado en una posición yôgi, al que luego encontramos dentro de la mitología hindú con el nombre de Shiva, y es considerado el primer maestro de Yôga. También se hallaron placas de arcilla que retratan y valorizan el sexo femenino, símbolo de la fertilidad de la tierra.

Los vestigios de aquel pueblo esencialmente agrícola remiten una y otra vez a la veneración de la naturaleza, en una cultura que consideraba a la mujer como una diosa, por lo que se deduce que el Yôga original existió dentro de un contexto matriarcal, no restrictivo y, por ende, que valorizaba la sensorialidad.

Un hallazgo sorprendente sobre la civilización del valle del Indo es que sus ciudades carecen de edificios o construcciones dedicadas a una religión institucionalizada. En cambio, fueron asombrosos sus avances en arquitectura, medicina (se hacían, por ejemplo, cirugías faciales con implantes), matemática (está comprobado que usaban el sistema decimal) y saneamiento urbano (cada casa tenía un baño de buena calidad e instalaciones sanitarias domésticas). Sólo dos mil años después, la civilización romana alcanzó un nivel comparable en arquitectura urbana. En relación con el Yôga antiguo, podemos entonces inferir que su carácter naturalista y técnico fue incorporado desde el origen.

¿Qué sucedió con esta gran civilización? Y… ¿por qué el Yôga se deformó tanto a través del tiempo? En un próximo post hablaremos de esto y de cómo llegó a ser incorporado al hinduismo y rescatado del olvido.

Bibliografía consultada: Yôga, Sámkhya y Tantra, de Sérgio Santos.


Natalia Sanmartín Gil


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Saber incentivar



Fotógrafo: Leonardo Crescenti
Saber incentivar

Depois de visitar várias escolas do Brasil, baseando-me na minha própria prática e no que ia observando, em colegas e alunos, escrevi algumas páginas sobre as coreografias de SwáSthya. Estávamos em 1999 e tudo o que tinha escrito sobre essa técnica do Yôga era… três páginas! Posteriormente, num encontro com DeRose, na cidade de Porto Alegre, tomei coragem e entreguei-lhe uma cópia dessas três páginas. No dia seguinte, ele devolveu-mas com algumas anotações. Sugeriu-me que escrevesse em espanhol, a minha língua natal (aquelas três folhinhas pretendiam estar em português. Contudo, fiquei a saber, naquele momento, que estavam em portunhol). Sugeriu, também, que continuasse a escrever para publicar, proximamente, um livro.

Três anos depois, graças, em grande parte, a esse impulso inicial que eu chamaria kripá (toque que transmite força), foi editada a primeira versão de Coreografias, que de três folhas de papel tinha aumentado para 158 páginas.


Coisas que acontecem

Estávamos no escritório do DeRose, no prédio da Sede Central, a concluir a revisão da primeira versão em português, do livro Coreografias, quando comentei com ele que o título do livro em espanhol não me satisfazia e que, para a versão em português, tinha pensado num mais simples e directo. Em seguida, verbalizei-lhe o novo título. Sem pronunciar uma palavra, DeRose foi até ao seu PC, procurou um documento e mostrou-me um texto que tinha escrito nesses dias (um capítulo para um dos seus livros). No texto, recomendava ao leitor que lesse o meu livro. E o livro… aparecia com o nome que eu tinha anunciado, minutos atrás, como se fosse uma novidade.
Anahí Flores


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Prazer e atenção



 
Tudo o que fazemos com mais consciência torna-se mais prazeroso.

Tudo o que realizamos em atitude de atenção, simplesmente, pela vivência mais intensa dos momentos, torna-se mais agradável também.

Isso em todas as áreas, irrestritamente.

Perceba que é diferente, por exemplo:
  • ouvir música e contemplar música. Apreciar uma música é um exercício de consciência, atenção, emoção e sensibilidade. Ouvir música, não: isso pode ser inclusive apenas mais dispersão.
  • jogar conversa fora e conversar mesmo, sem contar o tempo no relógio, por horas a fio desfrutando de uma boa companhia…

Reconheço que nem sempre se tem tempo disponível para parar tudo e ouvir detidamente uma música.

Sei que não é possível, para muitos, deixar o trabalho de lado e ouvir um colega.

Sei que às vezes parece não haver tempo nem para fechar os olhos e respirar, prolongadamente, deliciosamente, desfrutando a sensação do ar preenchendo os pulmões como se nada mais importasse… como se nada mais existisse.

É visível que a rotina da maioria das pessoas hoje não inclui um tempo diário de lazer descompromissado.

Mas, mesmo assim, digo que é possível reaprender a sentir.

Digo que é possível,ainda hoje, aprender a desfrutar mais dos momentos, cada um deles. Que isso é possível mesmo sem tirar um tempo exclusivo para esse fim.

Para viver mais intensamente, para sentir mais prazer todos os dias, basta uma mudança de atitude. Basta querer usufruir melhor do tempo que se tem.

Basta querer colocar mais atenção em tudo o que se faz.

Basta fazer isso de forma ativa, como uma atitude de respeito a nós mesmos e ao tempo precioso de vida que temos.

"Comecemos fazendo aquilo de que mais gostamos com mais atenção, carinho e sensibilidade, provando um sorvete atento para todos os sabores, para a textura, para as diferenças de temperatura. E terminemos ficando plenamente mais atentos ao universo infinito em belezas, riquezas e alegrias que existe a nossa volta." (Ferramentas-Livre Pensar do Yôga)

É só começar a prestar a atenção nas coisas que já fazemos, e procurar fazê-las melhor e com menos stress.

Depois podemos escolher alguns momentos do dia para valorizar, um que seja por dia para gerar prazer.

Por exemplo, ao invés de, rotineiramente, ir almoçar no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, vá almoçar sozinho escolhendo realmente a comida que queira ingerir e fazendo-o lentamente, desfrutando mesmo a refeição.

Ao invés de andar apressadamente, levante um pouco mais cedo e preste atenção no caminho, perceba a luminosidade do dia que começa, perceba o céu, ele não estará igual nunca mais.

No trânsito escolha uma música, uma só…aquela que mexe com as suas emoções, aquela que faz lembrar quem você realmente é, lembrar daquilo que importa para você… ouça-a muitas vezes.

Sem tirar tempo nenhum do que já fazia, procure fazer melhor.

Use a rotina a seu favor, torne-a sua.

Na realidade, lembre-se que ela sempre o foi.

Perceba-a melhor, desfrute mais do que já tem em suas mãos e, a partir disso, quem sabe, pense em modificá-la…

Talvez alterá-la, no futuro, cause muito mais prazer …

Julia Rodrigues



terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Caminho das Índias



Agora em 2009 teremos um grande foco na Cultura indiana em consequentemente no Yôga. A modinha, hoje virou tendência e se incorpora ao cotidiano do brasileiro nas grandes cidades brasileiras. Termos sânscritos invadem os nossos jornais e noticiários. Satyagraha, yôga, karma entre outros termos já constituem o vocabulários dos antenados nas tendencias orientais.

A nova novela da globo Caminho das Índias, promete ser um grande facilitador da cultura indiana. restaurantes e festivais típicos já povoam os calendários de 2009. Com o Yôga não será diferente.

Fique de olho!

Saiba mais lendo um artigo anterior sobre especiarias.


Um abraço,


André Mafra


domingo, 30 de novembro de 2008

O Tempo Não Pára



Pare tudo por alguns instantes e seja apenas um observador.

Você já parou para pensar em quantas coisas estão acontecendo neste exato momento em que você lê estas palavras?

Seu sangue continua correndo em suas veias. Seu sistema nervoso é constantemente solicitado para a devida interpretação da leitura. Os carros passam na rua. O Planeta Terra continua girando. O universo continua seu processo de expansão! Enfim, o tempo continua correndo.

Mas e se fosse possível parar tudo. Parar o tempo. Conquistar a imobilidade completa. Uma vastidão silenciosa e quieta, estática, total e infinita. Será possível.

O tempo nada mais é do que uma impressão de uma parte. Precisamos do tempo para podermos passar por muitas experiências que nos conduzem para a evolução. Como não podemos entender o todo de uma só vez, com certeza por diversas limitações, ai está o tempo, para que se possa assimilar uma coisa de cada vez. Em vez de engolir uma pílula grande demais, partimo-la em várias menores facilmente assimiláveis.

Mas e se fosse possível expandir a consciência a tal ponto de poder entender o todo de forma instantânea? Bom, ao chegar neste estado de consciência, que na filosofia prática do Yôga recebe o nome de samádhi, o tempo para, “não passa”. A noção do tempo é distorcida conforme o grau de consciência que se atinge. Em estados de consciência expandidos temos a impressão de uma longa passagem de tempo que se dá em alguns instantes. Como se fosse percebida a passagem de horas, mas que na realidade objetiva duraram apenas um instante, talvez nem mesmo um segundo.


Claus Haas


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Agradecimento aos pais




Texto lido durante a cerimônia de formatura de instrutores de SwáSthya Yôga do dia 21 de novembro de 2008.
Queridos pais,
Imagino que, quando nós, seus filhos, chegamos ao mundo, suas vidas mudaram completamente.
Para encarar essa mudança, tornando-se pai, tornando-se mãe, foi preciso uma certa mistura de talentos. Alguns desses talentos já estavam em seu repertório antes mesmo de nascermos.
Certamente, uma dose de insensatez estava entre eles. E, claro, coragem.
Outros, sempre estiveram em potencial dentro de vocês, mas - em sua plenitude - só vieram depois: como um amor gigantesco - do qual ninguém se sabe capaz até que o sinta.
Ser pai, ser mãe é um constante desenvolvimento de potenciais conhecidos e desconhecidos: leitor de termômetro, trocador de fraldas, engenheiro aéreo de pipas, inventor de cafunés, torcedor de time dente-de-leite, maquiador de festa junina e muitos outros, todos eles fundamentais.
E tudo na prática: é como ser o atirador de facas no primeiro dia de emprego. As coisas vão sendo aprendidas enquanto a roda gira e nada pode dar errado, ainda que, eventualmente, dê.
Não falarei sobre perda da liberdade, pois poucas coisas celebram mais essa palavra misteriosa e tantas vezes mal comercializada, que a escolha consciente de abrir mão de um pedaço dela em nome de um filho.
Saber abrir mão, aliás, está entre os talentos a serem desenvolvidos pelos pais. Tão difícil em épocas quando tantos punhos se fecham. Mas pais são pais em qualquer época.
Abre-se mão, um dia, até mesmo do destino do filho que, em algum momento, decide tomar sua própria vida pelas rédeas. Para que ele possa transformar, assim, essa outra palavra misteriosa, destino, em algo menos nebuloso.
Dificilmente algum de vocês pôde imaginar que, um dia, teriam filhos com essa formação, a de instrutor de Yôga. Talvez um imaginasse um médico. Outro, um arquiteto. Outro, ainda, um advogado.
Mas tenho certeza de que, qualquer uma dessas projeções - e quanto de si mesmos os pais projetam nos filhos -, qualquer uma dessas projeções incluía acima de tudo uma filha, um filho realizado financeira e profissionalmente, íntegro, ético e feliz.
E, diante disso, só posso concluir que vocês, em verdade, não queriam médicos, arquitetos ou advogados: queriam que o fruto de seu amor se tornasse um homem, uma mulher livre.
Peço que olhem atentamente para os rostos que ora estão aqui, à frente. É isso o que vocês, pais, vêem: rostos de homens e mulheres que optaram pelo caminho da liberdade. Homens e mulheres livres.
Um caminho que só pôde ser trilhado a partir dos passos iniciais ensinados por vocês. Esses passos jamais deixarão de fazer parte desse caminho, desejado por muitos, mas abraçado apenas por aqueles com as doses de coragem e amor necessárias. E de insensatez, se assim podemos chamar a sensatez de uma minoria que decidiu se tornar diferente da maioria.
Para muitas profissões, criou-se a figura do caçador de cabeças. Um homem que escolhe os profissionais mais indicados para trabalhar em certos postos importantes nas empresas. Dizemos, entre nós, no entanto, que o ensino do Yôga caça corações. Corações não vão para onde alguém aponta, mas para onde sempre quiseram estar: é a diferença entre ser escolhido e escolher. Entre cortar cabeças ou acolher corações.
Os primeiros passos que vocês, pais, nos ensinaram ajudaram a trazer nossos corações até aqui. A este momento. Queiram ou não são cúmplices das mudanças que, agora, celebramos e que o Yôga e a profissão de instrutor de Yôga produziram e continuarão a produzir positivamente em nossas vidas.
Gostaria que vocês soubessem que estamos imensamente gratos.
Obrigado.

Alessandro Martins e Julia Rodrigues


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

La tolerancia como estilo de vida



Foto: flickr, subida originalmente por azil jamil


Si bien la tolerancia forma parte del discurso políticamente correcto que se escucha con frecuencia, en realidad se la practica poco. Quizás porque es más fácil predicarla, que llevarla a la práctica. Por alguna razón, los seres humanos tenemos algo así como un “defecto de fábrica” que nos lleva a creer que nuestra experiencia es trascendental y única en su importancia, aun para otras personas. En realidad, esa trascendencia sólo vale para nosotros mismos.

La tolerancia requiere conciencia, respeto y aceptación. Ser capaces de entender que el mundo es igual de válido mirado con otros ojos, desde otro punto de vista. Demanda un aprendizaje: el de reconocer que las diferencias enriquecen.

Y aquí es donde el Yôga Antiguo puede hacer un valioso aporte, porque su objetivo es ampliar la conciencia. Ya desde los inicios, el conocimiento obtenido por el yôgin sobre sí mismo se expande al mundo a su alrededor, haciendo realidad tangible la intención de aprender del otro y de su vivencia.

A causa de la práctica, el sádhaka (practicante) comprende su conexión con el universo y con el resto de la humanidad y aplica lo aprendido incrementando su comprensión de las diferentes costumbres, usos y maneras de las personas. En síntesis, percibir la realidad en un sentido amplio nos induce a sentir una conexión profunda con los que nos rodean, incorporando el ejercicio de la tolerancia a la vida cotidiana.

Vale la pena hacer una aclaración: es una confusión bastante común que se malinterprete a la persona pacífica tomándola por pasiva, y también se suele entender mal al tolerante, considerándolo permisivo. Ser tolerante no implica dejar de defender aquello en lo que creemos ni permitir que nos agredan sin reaccionar.

Entre los valores del movimiento cultural formulado por el Yôga Antiguo, reconocer las diferencias y aprender de ellas es vital. Relacionarnos con respeto es un entrenamiento diario. Para un practicante de SwáSthya Yôga, la lealtad a sus ideales es tan importante como la tolerancia y el cariño hacia los demás.

Para finalizar, lo invito a tomarse unos instantes para analizar cuál es su propio nivel de comprensión, empatía y tolerancia hacia quienes lo rodean (especialmente hacia los que están más próximos). Mejorar en ese aspecto puede ser sólo cuestión de proponérselo.


Natalia Sanmartín Gil


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Quem é o Mestre



Texto lido durante a cerimônia de formatura de instrutores de SwáSthya Yôga do dia 21 de novembro de 2008.  

O mestre é o cara que encontrou, no escuro, um caminho.

Mestre também é aquele que, ao chegar onde quer que o caminho leve, dissipa essa escuridão.

Se você vê uma luz no fim do túnel, é esse cara. Segurando uma lanterna. Lá na frente.

Não é ele que deve vir a você, mas você a ele. A ele, que já fez o caminho.

Ainda assim, se você insistir em olhar para as paredes do túnel, para o labirinto de escuridão, seja com medo - que paralisa - seja com a intenção de se envolver por elas, as trevas, o mestre continuará a chamar. Lá de longe.

Ele não pode puxá-lo, não pode laçá-lo, não pode prendê-lo. Como um mestre poderia ensinar a liberdade com tais recursos? Que tipo de aprendizado é aprendizado sem ser libertador e sem conter a liberdade em seus métodos?

O mestre não pode vender certezas. Pode tão somente, com a mão em concha, ofertar uma possibilidade. A primeira coisa que ele ensina, com isso, é a liberdade de aceitar ou não essa possibilidade. E o aluno, ainda que não a aceite, já terá aprendido algo. A liberdade de aceitar ou não.

O mestre pode apenas lançar mão do mesmo encanto que o encantou e que o fez chegar onde está. Não mais. O aluno escolhe o mestre. Não o contrário.

A dádiva de educar, assim, pode ser acompanhada da frustração de não ser ouvido. O mestre aprende a superar essa dor. Pois, às vezes, se está muito longe: o verdadeiro educador é vanguarda, ainda que ensine a sabedoria de um passado remoto.

O educador está sempre no front: seu conhecimento é como a mochila de um guerreiro, o equipamento de um soldado. E poucos gostariam de se oferecer às pedras da ignorância na linha de frente, como ele faz todos os dias.

Então, o verdadeiro mestre - não importa de que área do conhecimento - faz seu chamado. Alguns o ouvirão. Outros não. Certas sementes não germinam em alguns solos e, para cada solo, mesmo os pedregosos, há uma semente apropriada.

Alguns conseguirão ir aonde o mestre chegou. Poucos, muitos, não importa. Sentados em torno da fogueira, todos juntos, olharão para o caminho que trilharam. Verão que o mestre mostrou a vereda, mas cada um teve de deixar suas próprias pegadas nela.

E então é a vez de alguns desses alunos irem além. A hora de uma verdade que alguns - mais emotivos - acharão melancólica: os mestres também são necessários porque nós humanos somos finitos, não temos como perpetuar sozinhos, na linha do tempo, um conhecimento. Nossos prazos são muito limitados. A arte é grande, a vida pequena: projetamos nas gerações seguintes, os novos caminhos a serem trilhados e legamos, também a elas, a sabedoria que deve ser preservada intacta como um diamante.

É nesse momento que o mestre irá lhe passar às mãos o lume com que, durante tanto tempo, iluminou o túnel que você percorreu. E você entenderá, então, que, antes dele, um outro mestre fez esse mesmo gesto. E, antes desse, outro. E antes, ainda, outro. Até onde alcança a limitada compreensão humana acerca do passado.

E, finalmente, o mestre lhe apontará para onde acredita ser o caminho que faria. E, novamente, com a liberdade que você aprendeu desde o início desta jornada, você fará uma nova escolha.

E, sem medo, dará um novo passo. A jornada do conhecimento deve continuar.


Alessandro Martins



terça-feira, 25 de novembro de 2008

Vamos meditar um pouco?





Ultimamente somos bombardeados, dos primeiros instantes do dia até os minutos antes de adormecer, com centenas de milhares de estímulos diferentes. Há quem diga que em um jornal diário encontram-se mais informações do que uma pessoa assimilava durante toda a vida há algumas décadas.


Este excesso de informação gera uma intensa dispersão mental. A todo momento, nossa mente deriva para alguma novidade. Isto promove, inegavelmente, stress. A tal ponto que dezenas de patologias sejam associadas a ele e a falta de se “desligar” um pouco. Não um desligar no sentido de dormir ou apagar. Mas se desligar deste turbilhão de estímulos variados. Se abstrair de todas estas dispersões.


Se damos atenção para tudo o que vem de fora, para todos estímulos externos, nos esquecemos do que realmente somos. Deixamos de nos perceber a nós mesmos para se observar com a ótica e o julgamento daqueles que nos observam. A conseqüência disto é a perda da auto-estima e todos efeitos que advém desta perda, chegando até o ponto de se transformar em uma depressão.


Para combater isto há milhares de pessoas que utilizam técnicas de meditação. Na verdade, intuição linear é a melhor definição para esta técnica. Meditar, como técnica, significa parar de pensar. É a parada das ondas mentais, ou instabilidades mentais. E quando param, há vazão para o aflorar de um estado de consciência mais sutil e mais amplo, a intuição linear, a meditação.


No estado de consciência da meditação o conhecimento flui de dentro para fora. E não o contrário, como estamos acostumados. Um conhecimento puro, que não necessita de análises ou confirmações, já que não resulta de algo prévio. Não é a toa que altos executivos utilizam estas técnicas para definir o rumo de suas empresas. Por que procurar fora o que já está guardado dentro? Basta olhar, basta observar.


Enfim, para que a meditação flua mais facilmente, ter um corpo forte, saudável e resistente faz grande diferença. Sem isso, usar a técnica da meditação seria como fortalecer a musculatura de um braço e abandonar o restante do corpo. Através das técnicas do Yôga Antigo, este fortalecimento é facilmente conquistado. Inclusive, os oito feixes de técnicas que fazem parte de sua prática ortodoxa se encerram justamente coroados pela meditação!




Claus Haas
www.claushaas.blogspot.com


quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mentalizar para evolucionar



La mentalización es un recurso que todos tenemos para construir nuestro futuro.
Ilustración: Lisa Wong


Toda acción humana comienza como una idea. A veces, esa idea es consciente. Otras, simplemente nos encontramos realizando algo, sin haber detectado el pensamiento previo que disparó ese mecanismo.

La propuesta del Yôga Antiguo es expandir la conciencia hasta alcanzar un estado denominado samádhi. Ya desde las primeras prácticas podemos sentir que estamos haciendo consciente lo inconsciente.

Se empieza de a poco, con lo más obvio, que es nuestro cuerpo físico. Prestando más atención a la respiración aprendemos a moderar sus ritmos. Luego descubrimos empíricamente que la frecuencia cardíaca está directamente relacionada con el ritmo de la respiración. Percibimos grupos musculares que no habíamos sentido antes, y de la mano de esas percepciones desarrollamos fuerza, flexibilidad, constancia y disciplina entre otras cualidades, que exceden largamente el plano corporal.

Practicando cotidianamente durante algún tiempo, el yôgin (pronúnciese “ioguin”, palabra que designa al practicante de Yôga) empieza a estar mucho más atento a sus pensamientos y al momento en el que sus acciones se delinean en el plano mental. Comprende también que, para que el pensamiento no sea ilusión, es preciso pasar a la acción.

Al concientizar este mecanismo, se devela una posibilidad que se expande en otras, infinitas: si creamos con nuestros pensamientos aquello que queremos conseguir, estamos marcando un surco, trazando un camino que después recorreremos con acciones en el plano concreto de la realidad, que van a aproximarnos a nuestro objetivo.

Pero… ¿cómo se mentaliza algo?

Es muy simple: pensando en ello concretamente. Mentalizar es la acción de generar imágenes mentales. Pueden ser imágenes visuales, pero hay personas que usan también otros sentidos (olfato, tacto, oído). La imaginación es, en cierto sentido, una forma de mentalización.

Para entrenar esta habilidad, que forma parte del patrimonio del ser humano como especie, aquí le propongo un sencillo ejercicio.

La técnica

Siéntese cómodamente en un lugar tranquilo, procurando no ser interrumpido durante algunos minutos (con cinco minutos por día es suficiente). Ubique la espalda bien erguida pero sin tensión, cruce las piernas, cierre los ojos y respire en forma nasal, lenta y profunda, encontrando su propio ritmo, fácil de mantener.

Elija una meta personal para mentalizar. Puede ser en cualquier ámbito o aspecto de su vida: profesión, familia, relaciones, realización personal, un deporte, la forma de su cuerpo o cualquier otra cosa.

Comience a generar una imagen que represente el momento en el cual obtiene ese objetivo. Busque tornar esa imagen bien nítida, como si hiciera foco con una cámara de filmación. Véala como una película. Siéntase protagonista de este futuro posible, visualizándose en el centro de la escena, alcanzando su meta. Mantenga la imagen por algunos minutos y luego ciérrela.

Permanezca un momento más con los ojos cerrados, buscando aquietar sus pensamientos para descansar el plano mental de la intensa actividad que mantuvo. Luego, abra los ojos, cerrando la técnica y predisponiéndose a pasar a la acción. Tenga en cuenta que todo practicante de Yôga es un hacedor, un constructor de realidades, un entusiasta que genera acciones que le permitan aportar para construir un mundo mejor.

Sea constante, dedicando cinco minutos a la mentalización cada día, sin cambiar de objetivo hasta verlo realizado. Los resultados serán asombrosos.


Natalia Sanmartín Gil
http://www.uni-yoga.com.ar/
http://www.yogabuenosaires.com/


terça-feira, 11 de novembro de 2008

A Era da Velocidade



O esquecimento, filho do descaso, é um atalho para a 
ineficiência, mãe da incompetência.

Há quatro anos, fui convidado a ministrar aulas de Yôga ao staff de uma grande companhia aérea norte-americana em SP, e como bônus, recebi uma passagem à Nova York. Já dentro do avião, percebi que alguns yuppies olhavam para o relógio a todo instante e resmungavam que estávamos tardando a chegar (como se eles não soubessem a duração de uma viagem daquelas).

Ao chegar à Big Apple pela oitava vez em minha vida, pude constatar uma grande mudança em relação a minha primeira estadia lá há alguns anos: a velocidade. A cidade, agora, mais do que nunca, cultuava a velocidade de tudo e todos. Da informação, da população, das máquinas, etc..As pessoas se alimentam, acordam, trabalham, dormem, falam e fazem amor com pressa.   

Pude também denotar que a nova resposta para a tradicional pergunta: “Como vai, tudo bem?”, tornou-se internacional. Lá também o interlocutor escuta quase sempre: na correria! Por alguns dias, refleti sobre isso. Tudo ficou ainda mais elucidativo, quando liguei para minha escola de Yôga em SP e perguntei como estavam as coisas. Adivinhe qual foi a resposta!

No entanto, isso não é exclusividade de N. York. O mundo tornou-se veloz, globalizado, principalmente o mundo dos negócios de alimentos e os nossos mundos também. Porém, você já parou pra pensar até que ponto isso é benéfico para você? Invocando a dualidade que nos permeia, temos vantagens e desvantagens.

Creio que seja óbvia a importância da velocidade nos dias de hoje, principalmente nas vidas em grandes metrópoles. Mas, mais óbvio ainda, são os prejuízos advindos do ritmo alucinado perpetrado pelas sociedades de uma forma geral. Não estou fazendo apologia à lentidão e sim a conscientização dos atos e a natureza do seu próprio tempo.

Sou diretor de uma Unidade da Universidade de Yôga em São Paulo e tenho percebido com freqüência que a suposta busca pela velocidade tem atrapalhado a perfeição na execução das tarefas por parte dos meus instrutores. Por exemplo, tento fazê-los entender que é de extrema relevância reler aquilo que escrevem, pois além de nos impor disciplina e controlar a ansiedade é sinal de respeito e educação com o leitor. Mas, devido a correria, trocam a qualidade do trabalho por uma maior quantidade de tarefas executadas em menos tempo. Só que nem sempre estas tarefas saem com o primor da perfeição, que é, como diria Michael Jordan, o que diferencia os homens das crianças. Neste caso, os conscientes e os condicionados.

Quando digo a alguém que estou com pressa e esta pessoa tem a possibilidade de me acompanhar no desenrolar dos fatos; ela costuma indagar após alguns minutos: “Escuta, você não estava com pressa?”. Este tipo de questionamento acontece porque tento fazer com que a pressa não faça comigo o que faz com a maioria das pessoas, ou seja, negligenciar os detalhes de uma tarefa. O segredo é fazer sem pressa, aquilo que você tem pressa de concluir. Como o Yôga me ensinou: deixar-se absorver pelo momento presente, sem indolência ou desespero. Assim, ameniza-se os erros e o poderoso stress advindo desta correria desenfreada, que velozmente mina a saúde, produtividade, criatividade e prejudica a relação inter-pessoal em qualquer que seja o grupo de pessoas. No fim das contas, todos pagam o preço por aquilo que criamos.      

Um erro comum dos palestrantes é a pressa em se expressar. Querer falar primeiro e mais do que os outros.  A paciência é a virtude do sábio, portanto ouçamos primeiro para falarmos depois.

Com a velocidade de uma bola de neve, vamos espalhando este condicionamento para todas as áreas de nossas vidas. Até quando vamos ao médico, queremos que ele seja veloz em nos diagnosticar e curar. Após cinco minutos de conversa, lançamos a indefectível pergunta: “Então, doutor, o que tenho?” E ficamos irritados com a falta de uma resposta rápida. Nos irritamos com o trânsito lento (minha antiga professora de Inglês desistiu de dirigir em SP, porque outros motoristas não respeitavam quem não estivesse com pressa), com restaurantes que não trazem o prato com a rapidez de um fast-food (um bom treinamento para a diminuição deste sintoma é fazer um tour pelos restaurantes de Havana).

Um claro sintoma que nem todos estão satisfeitos com isso é a nova ordem que está se estabelecendo de mansinho. O movimento Slow-Food na Europa em contraposição ao Fast-Food que os Estados Unidos alastraram pelo mundo; o retorno do ancestral sexo tântrico que ensina a não ter pressa em qualquer interpretação que esta palavra possa ter. 

Faça um esforço titânico para que a partir de hoje suas refeições durem o tempo que for preciso.
Selecione bem o que navega em seu prato. Mastigue lentamente e sem pressa (se estiver com pressa, deixe para comer depois), saboreie o alimento, sinta as diferentes texturas do que está sendo ensalivado, olhe para o que está ingerindo, veja suas cores. Você não vive para comer; come (bem e consciente) para viver.  

Quantas vezes você acha que perdeu uma oportunidade por falta de percepção devido ao “excesso de velocidade”? É como se estivéssemos dentro de um veloz automóvel, tão preocupados em olhar pra frente que deixamos de perceber que acabou de passar por nós um atalho.

Os gregos representavam a oportunidade através da alegoria de uma mulher com a parte de trás da cabeça raspada. Significava que se você a deixou passar, não adiantará tentar segurá-la pelos cabelos. Foi-se! As oportunidades que você deixa passar não serão esquecidas no tempo e no espaço, alguém as aproveitará em seu lugar! Portanto, amenize a pisada no acelerador e olhe para os lados para que a graça do trajeto seja tão grande quanto o alcance de seu destino.   

Reflitamos sobre aquela velha e boa expressão: “A pressa é inimiga da perfeição”, pois ela parece ter sido criada por alguém que pressentia que chegaríamos a esta época.

Na verdade, sinto que corremos de nós mesmos, porque se pararmos, perceberemos quem realmente somos, pra onde estamos indo e o que estamos fazendo. Fugimos disto com a mesma velocidade com que nos enganamos! 

Agora, vá para o começo deste artigo e releia-o, pois é muito provável que o tenha lido com pressa, e devido a ela, deixamos passar, muitas vezes, o essencial, o que não está explícito e sim encerrado nas entrelinhas.

 
Fábio Euksuzian


terça-feira, 4 de novembro de 2008

Axioma número um



 Foto: Martín Coltzau
 
Numa tarde, DeRose convidou um grupo de intrutores estrangeiros, que estavam de passagem pela cidade de São Paulo, para comer na sua casa. Naquele ano, DeRose ainda morava num pequeno apartamento, próximo da Sede Central da Universidade de Yôga. Eram instrutores de várias nacionalidades e, entre eles, estava eu. Fomos à sua casa e ofereci-me para ajudá-lo na cozinha. Fiquei responsável por lavar e cortar os brócolis. Lavei-os, cuidadosamente, e quando já estava quase a cortá-los, DeRose, com um tom sério, advertiu-me: Vais cortar tudo junto? Separa as flores e corta apenas os talos. As flores não se devem comer, porque são indigestas. Fiquei um pouco confusa perante a nova informacão. Depois veio a vergonha repentina por ter demonstrado tamanha ingnorância culinária, perante o meu Mestre. Comecei a justificar-me, balbuciando desculpas do estilo que eu já tinha aprendido assim, que na Argentina todos comem bróculos inteiros e blá blá blá. DeRose escutava-me atentamente, permanecendo em silêncio e permitindo que eu continuasse a procurar palavras para me justificar. Não demorou muito a começar a rir sem parar, enquanto exclamava: Axioma número um: não acredites!


Anahí Flores