Este blog foi montado com o intuito de retratar experiências de professores de SwáSthya Yôga que dedicam suas vidas a praticar, ensinar e difundir esta fantástica filosofia de vida.



segunda-feira, 8 de março de 2010

Transcrição de uma aula ao vivo com o Mestre DeRose de 10 de maio de 2005.



A história da Índia e do Yôga se confundem imensamente. O prórprio criador dessa filosofia prática de vida é um personagem dos mais remotos mitos criados naquele território. Academicamente podemos nos reportar até o terceiro milênio antes de Cristo, ou seja, cinco mil anos atrás. Entretanto, muitos autores chegam a situar as origens do Yôga e da civilização dravídica que o criou em períodos ainda mais distantes nas areias do tempo.

Os drávidas, integrantes da atualmente conhecida como civilização harappiana, eram uma etnia autóctone do noroeste da Índia, de pele negra e de baixa estatura. Tinham como visão de mundo uma ótica naturalista e matriarcal. Nesse período proto histórico, pré clássico, pré vêdico e pré ariano surgiu um homem com uma inteligência cinética acima do normal. Ele era o bailarino real (Natarája) e seu nome entrou para a história e para a mitologia como Shiva, o auspicioso.

A arte de Shiva recebeu posteriormente o nome de Yôga, que significa união e, ao longo dos séculos, sofreu muitas adaptações e transformações. A principal delas ocorreu por volta de 1.500 a.C. por conta da ocupação ariana. Os áryas eram povos guerreiros sub bárbaros provenientes das estepes geladas da Europa. Eram loiros e de alta estatura. Foi aparentemente para evitar a miscigenação entre drávidas e áryas que o sistema de castas foi criado. Apesar dos esforços em eliminá-lo, essa organização social sobrevive até os dias de hoje.

Os arianos eram predominantemente naturalistas nesse período, sendo assim o Yôga manteve sua raíz sámkhya, mas por serem guerreiros, o povo invasor era patriarcal, logo a raíz matriarcal dos drávidas foi aos poucos sendo eliminada, até tornar-se secreta.

Com o passar dos anos, a integração dos arianos no subcontinente indiano se torna completa e entre os séculos VIII e III a.C. são compilados os Vêdas e as Upanishads. É exatamente no final desse período que Pátañjali escreve o célebre Yôga Sútra, um tratado que codifica o Yôga Clássico, fazendo com que, apesar das alterações, a filosofia dos drávidas seja aceita pelos arianos invasores e permitindo que ela pudesse chegar até nós.

É também no final desse período que a Índia vê surgir Gautama, que se torna o Buddha, e dá origem a principal dissidência do Hinduísmo: o Budismo.

O que se segue é uma sucessão de invasões, destruições e reconstruções. Em 326 a.C. Alexandre, o grande chega da Grécia pelo mesmo caminho que os arianos haviam trilhado dois mil e oitocentos anos antes. Tem início a helenização do Yôga. Simultaneamente, a invasão persa também ali instala a sua cultura.

Os períodos seguintes são marcados pelas invasões dos hunos em V d.C. e dos árabes em VIII d.C. Tem início a hunificação e islamização do Yôga. É nessa fase da história indiana também que o Tantra ressurge do obscurantismo, dando início a toda uma revitalização de artes que se inspiram pela filosofia matriarcal. Surgem a magia tântrica, o budismo tântrico, a alquimia tântrica, etc.

Por volta do ano de 1.100 d.C., a linhagem dos Natha-Siddhas também se apropria do ressurgimento da cultura sensorial e dá origem ao Hatha Yôga. Nessa fase também se vê a divulgação da filosofia de Bhadarayana, o Vêdánta e tem início uma conversão em massa da população indiana ao espiritualismo.

Os turcos e os afegãos também invadem aquele território no século XII d.C. mas são os mongóis que deixam uma profunda marca na imagem da Índia em todo o mundo. Foi um rei mügal (mongol) Cha Jahan que cronstruiu o Taj-Mahal, uma das maravilhas do mundo moderno.

Com a invasão portuguesa em XVI d.C. e inglesa em XVII, tem início a cristianização da Índia e do Yôga. Foi essa a versão que chegou para nós no ocidente. Mas a filosofia prática do oriente que mais se tornou conhecida em nossas terras foi a visão dos hippies ocidentais, cristãos e lisérgicos da década de 60 do século XX d.C.

O inusitado fato que fez com que confirmou a existência de um Yôga anterior à invasão ariana de 1.500 a.C. foi o de James Manson, um desertor do exército inglês, ter encontrado umas ruínas no deserto. O arqueólogo Alex Cunningam teve acesso aos diários de Manson e, 20 anos depois, conseguiu levantar fundos para uma escavação no sítio que se revelaria a maior descoberta desde o túmulo de Tutancamon: as cidades de Harappa e Mohenjo-Daro.

Assim, podemos chegar a conclusão inequívoca de que a índia foi o país mais invadido de toda a história. Sua geografia era estratégica no sentido militar e comercial. Isso foi um grande chamariz dos impérios ao longo dos séculos, fazendo da Índia a jóia do oriente. 




terça-feira, 2 de março de 2010

Autoconhecimento através do outro



É fundamental escolhermos o ambiente, uma vez que seremos influenciados por ele, quer gostemos ou não. Será o nosso alimento para a vida, e seremos também nós próprios alimento desse ambiente. Existe uma reciprocidade inevitável.
Tantra, a filosofia matriarcal, sensorial e desrepressora que serve como base ao comportamento do Yôga antigo, define-se, entre outras formas, como o autoconhecimento através do outro, porque somos, literalmente, parte desse outro. As relações humanas constituem uma ferramenta fundamental para o autoconhecimento.
É interessante saber também que Yôga significa união. Em primeira instância, união do homem consigo mesmo e depois, com o universo que o rodeia.
Vemos que tanto o Tantra (antiga filosofia comportamental) como o Yôga (antiga filosofia prática) deixam muito clara a importância de escolher a companhia e as egrégoras com as quais vamos interagir.

Tradução: Sonia Monteiro
Foto: em Saquarema 2004


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

La respiración en la vida diaria




 

A usted que está leyendo esta página web, lo invito a hacer una pequeña pausa y, por unos instantes, llevar la atención a su respiración tornándose consciente de este hábito diario.
  1. Haga una inspiración lenta y profunda, retenga el aliento unos instantes. Luego exhale soltando el aire muy lentamente, aquietando sus ritmos internos.
  2. Adopte una posición confortable y coloque una mano sobre su abdomen para corroborar el movimiento. Luego inspire profundamente llevando el abdomen hacia fuera y exhale contrayendo sutilmente hacia adentro. Repita algunas veces.
  3. Traiga a su mente una fragancia que sea de su agrado. Haga una inspiración lenta, consciente y profunda y disfrute de ese perfume. Cada vez que quiera respirar intensa y pausadamente, recree la misma sensación.
  4. Inspire lo más lento que pueda, retenga el aire mientras le resulte confortable y exhale soltando el aire lentamente. Procure respirar de esa manera en su vida diaria.
  5. Cierre momentáneamente sus ojos y respire en forma fluida. Ponga énfasis en mantener la respiración silenciosa y procure hacer de esta forma de respirar un hábito.
  1. Ahora observe si su respiración se modificó luego de este entrenamiento. ¿No es mucho mejor respirar de esta manera?


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Lindos Balões



Certa vez li essa frase no livro Sútras - Máximas de lucidez, do escritor DeRose, não me recordo se era exatamente assim, mas era quase isso: “Algumas pessoas que conheço são como lindos balões, belos por fora e dentro cheios de ar.”

O que nos faz refletir sobre o conceito de beleza física em contraposição a beleza interior. Ambos são conceitos abstratos. O conceito de beleza física sofre influência de diversos fatores: a época, o ambientes, os padrões culturais e sociais. Por isso o que é belo para mim, pode não ser para você, é uma experiência pessoal.

Sabemos, que se tudo correr bem, um dia vamos todos envelhecer e quando o frescor da juventude se for, restará: inteligência, perspicácia, habilidade em se relacionar, em se comunicar.

Vejo a vida como um somatório de experiências e das interpretações que fazemos delas, que podem ser belas ou não. Bisturis e tratamentos de beleza, podem até mudar a sua forma, mas não mudam as experiências vividas, nem o seu conteúdo, a sua beleza interior.

Concordo com Vinícius de Moraes, que beleza é fundamental, mas para mim, ser belo é ser estético, elegante, culto, polido, ter boas maneiras. O que independe da idade ou quantidade de rugas que se tem.

A hiper-valorização da forma em prol do conteúdo massifica as pessoas, igualando-as não só em forma mas também em conduta. E assim vivemos cercados lindos balões, todos iguais. Pode haver algo mais amorfo e sem graça do que um mundo sem diversidade, sem riqueza cultural, sem arte, sem beleza?

Fernanda Rengel

Instrutora do Método DeRose

www.fernandarengel.blogspot.com



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A influência de quem nos rodeia




Somos influenciados pelo mundo ao nosso redor, por isso buscamos nos relacionar com aqueles que têm mais afinidade com a nossa forma de ver o mundo. Estas pessoas inevitavelmente estabelecerão elos conosco.

Assim, os relacionamentos de trabalho, de amizade, amorosos, familiares, irão se interligando uns aos outros. Um tecido enorme poderia ser desenhado e nele colocaríamos todas as pessoas que tem alguma ligação conosco e interferem na nossa vida modificando-la. Um grande emaranhado de idas e voltas. Parte do currículo de uma pessoa poderia consistir em enumerar as suas principais amizades, parceiros afetivos e ex-parceiros (junto com o tempo que permaneceu com cada companhia).

Isso me faz recordar o famoso refrão “Diz-me com quem andas...”*

Ampliando esta idéia, o currículo poderia se estender a livros lidos e relidos, filmes assistidos, lugares mais freqüentados... absolutamente tudo nos modifica e deixa a sua marca.
Existe um termo proveniente do grego, que define exatamente a idéia do grupo e as suas influências: egrégora. Egrégora designa a soma de duas ou mais pessoas unidas para um mesmo fim. Eu e você podemos formar neste instante parte da egrégora deste pequeno texto. Se houver mais leitores da web lendo esta mesma página neste momento, mesmo que em outros lugares do planeta, estariam incluídos na nossa pequena egrégora. Cada ser humano pertence a diversas egrégoras (de trabalho, de nacionalidade, de família, de religião ou da falta de religião etc.) que atuam simultaneamente na sua personalidade. É importante saber que egrégoras similares se repelem. Esse seria o caso de um ser humano que tem por exemplo duas famílias, ou duas preferências políticas, ou duas equipes de futebol. Inevitavelmente, uma egrégora puxaria por uma direção e a outra exatamente pela oposta, reclamando do pobre indivíduo que por falta de conhecimento se aventurou em grupos incompatíveis. As egrégoras opostas esquartejam e podem provocar diferentes níveis de transtornos naquele que se envolve com ambas.

A força de uma egrégora, que está constituída pela força de mais de uma pessoa, é maior do que a de um indivíduo. Por isso, é mais vantajoso fazer uma opção consciente do que deixar ao acaso.

* O ditado completo é: “Diz-me com quem andas e eu te direi quem és.”

Tradução: Rafaella Coelho


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Mas que sentimento afinal embasa a relação entre mestre e discípulo




“Amai, amai, todo o resto não é nada.”
La Fontaine (Os Amores de Psique e de Cupido)

Vejamos como se constituem os laços entre o mestre e o discípulo.

Estudemos com atenção por quais sentimentos essa relação se fundamenta, para posteriormente tirarmos as consequências disso.

Utilizarei como ilustração um capítulo do livro Eu Me Lembro…

Escolhi esse trecho porque poeticamente nos transporta fazendo-nos compreender o tema abordado não apenas intelectualmente, mas envolvendo-nos de todo o coração.

O Velho Sábio

Certa manhã, fui tirar leite de nossa búfala, que pastava solta perto das margens do rio. Caminhando pelo campo com os pés descalços na relva molhada pelo orvalho da noite, tão absorvido estava que passei pelo animal e segui em frente. Pouco adiante, encontrei um velho sábio, sentado olhando para as águas que seguiam montanha abaixo. Cumprimentei-o e perguntei o que estava observando. O ancião me disse que estava observando seus pensamentos. Sentei ao seu lado e, como uma criança, sem nada questionar comecei a fazer o mesmo. Passaram-se várias horas e lá estávamos os dois, lado a lado, sem dizer palavra. Porém, entendendo-nos perfeitamente bem.

Até que, em dado momento, o ancião virou-se para mim e começou a falar.

- O que você observou?
- Meus pensamentos.
- Gostou?
- Sim.
- De que natureza eram?
- De todos os tipos. Pensei nas águas, obedientes, que seguem fazendo as ondas no mesmo lugar, apesar de serem sempre outras. Depois, pensei na nossa vida, que também é assim. Somo sempre outras e outras pessoas a nascer, crescer, trabalhar, casar… mas seguimos fazendo as mesmas coisas sem que ninguém nos obrigue a isso. Daí pensei nas nossas ovelhas, cabras e vacas, que também seguem fazendo as mesas coisas desde que nascem, até que morrem. E seus descendentes continuam fazendo as mesmas coisas. Qual o sentido de tudo isso?
- Você se fez essa pergunta?
- Fiz.
- E qual foi a resposta?
- Não obtive resposta, pois meu pensamento seguiu os pássaros e mudou continuamente. Mas gostei da experiência.
- Então volte amanhã e vamos contemplar o rio juntos outra vez.
Assim o fiz. Durante muito tempo retornei e sentei-me ao lado do ancião. Era uma relação de amor. Desde a primeira vez que o vi, senti um carinho arrebatador por aquele mestre. Olhava-o com admiração gratuita, pois ainda não o conhecia suficientemente bem. Não sabia o universo de sapiência que ele tinha para me transmitir. Era simplesmente amor, desinteressado, a primeira vista.
Quase sempre ficávamos calados por muito tempo. Geralmente, no final, ele fazia algumas perguntas. Depois de uns quantos meses, notei que suas perguntas era o que me permitia tomar consciência de quão profundo havia ido na viagem interior.

Vê-se claramente nesta passagem a identificação sincera do discípulo e a naturalidade com que se estabelece do discípulo em direção ao mestre uma admiração, uma vontade de ser como ele.

É realmente como no caso de uma criança que isso se dá, puramente, sem preconceitos, aceitando a ignorância que se mostra no contato com essa outra pessoa.

Reconhece-se que, diante de si há alguém dotado de um saber digno de atenção que se pretende conquistar.

É por meio da consciência desse profundo saber e, no fim das contas, por respeito sincero que o discípulo não questiona. Ele espera, confia.

Pode-se dizer que esta relação é completamente livre. E que é livre porque se funda completamente em amor. Amor do discípulo que se reconhece no mestre e o ama desinteressadamente e, do mestre que, por amor, aceita o discípulo sincero para guiá-lo. Apresenta-se aqui uma relação sem mediação, direta, pura, que revela a ambos na contemplação do agora.

“L’amour est la seule passion qui ne souffre mi passe ni avenir”
“O amor é a única paixão que não admite nem passado nem futuro”

Não há uma obrigação a priori constituída para ambos, ditada, por exemplo por um estado, por uma religião, por um dever moral ou costume…

Nenhum outro homem ditou ou estabeleceu que essa relação deveria existir.

Ela nasceu apenas daqueles dois, como uma amizade, não porque deveria acontecer por algum motivo, por algo vindo de fora, mas simplesmente porque podia acontecer. E porque ambos, mestre e discípulo, movidos por sua própria vontade assim quiseram.

Esta é uma relação que não envolve servidão de nenhuma parte, mas uma parceria fundada puramente no amor e na liberdade. Esta parceria pode aparecer bem descrita da seguinte forma.

“Amar não é olhar-se um ao outro, é olhar juntos na mesma direçã”.
Saint-Exupéry.

Não há aqui uma relação de dependência, mas uma consonância entre ambos e a decisão de seguir juntos, em uma única direção.

Julia Rodrigues
 


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Existe sensação melhor do que se olhar no espelho e gostar do que vê?




Estar bem com seu corpo é estar bem consigo mesmo. Por isto, a constatação de que tudo está ótimo gera tanto prazer. Mas chegar a este estágio não é tão simples quanto prometem aquelas dietas de 7 dias que são vendidas na TV. A boa relação com nosso corpo é algo que envolve diferentes aspectos do nosso comportamento que vão desde a alimentação até uma boa administração do nosso emocional.

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