Este blog foi montado com o intuito de retratar experiências de professores de SwáSthya Yôga que dedicam suas vidas a praticar, ensinar e difundir esta fantástica filosofia de vida.



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terça-feira, 5 de outubro de 2010

SATYA – A VERDADE



A verdade está diretamente ligada a um princípio fundamental para o desenvolvimento de nações, empresas ou pessoas: cumprir contratos. Toda vez que fazemos o que nos determinamos, passamos a acreditar mais no nosso potencial (autoconfiança), as pessoas nos dão mais credibilidade e, caso estejamos falando de uma empresa, o reconhecimento do mercado virá na forma de uma confiança prestigiosa, um dos mais importantes fatores na construção de uma marca valiosa. Pátañjali, sobre o hábito da verdade, comentou: “Quando se observa a honestidade, toda a riqueza é atraída”.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O RETORNO DO HERÓI



Quando somos crianças a presença de heróis é uma constante em nossas vidas. Nesta fase, nossa imaginação é muito fértil e nos permitimos ser quem queremos. O herói nada mais é que uma representação da grandiosidade do potencial humano. No fundo sabemos que podemos ser muito mais do que aquilo que estamos manifestando no momento.

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Vingança de Cândido




Quando Voltaire escreveu seu livro de maior sucesso: Cândido, ele o fez em protesto às filosofias otimistas que vinham sendo difundidas por Pensadores alemães. O Livro de Voltaire é altamente refratário à forma de raciocinar vigente na época, na qual eles achavam que um Deus infinitamente bom, que logicamente era de se esperar a criação de um mundo amável e feliz, escolheu o melhor dos mundos possíveis e as coisas ruins que aconteciam nele eram reflexos da imperfeição de todo o ser criado. Para os Pensadores desta época a priori tudo caminha para o melhor.

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sexta-feira, 11 de junho de 2010

OS LIMITES DA SABEDORIA



Antes de iniciarmos essa reflexão vamos esclarecer alguns pontos. Há grandes diferenças entre o que o Ocidente e o outro lado do mundo entende por sabedoria. Do lado de cá, a sabedoria está normalmente atrelada à capacidade de associações, ao movimento mental e a algo estritamente especulativo. Desde o jardim de infância nos ensinam que devemos sempre pensar, refletir e que isso é realmente essencial. Entretanto, esta atitude que nos foi imposta pode tornar-se limitadora à percepção mais profunda do mundo. Se pensarmos em termos de inteligiencia emocional, a satisfação dos desejos também é limitante e muitas vezes têm um grande fundo de condicionamento. Cito o escritor brasileiro, DeRose “há duas formas de comprovarmos a inutilidade dos prazeres: a primeira é renunciando a eles; a segunda, gozando-os.” A satisfação dos sentidos realmente traz uma realização, mas passageira e que termina assim que as sensações reduzem sua intensidade. Se nos detivermos nisto estaremos eternamente correndo atrás de algo que venha de fora para dentro e não chegaremos ao ponto de gerarmos a felicidade como um estado de consciência, algo que independa das situações externas. Esse tipo de sensação é um estado de inabalável bem-estar.

Para os orientais o único conhecimento que interessa é aquele que nos proporcione autoconhecimento. Para eles, o que importa de conhecimento é aquilo que nos conduza à felicidade permanente e à descoberta daquilo que realmente somos.

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Assim Falou De Nardi.




segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Existe sensação melhor do que se olhar no espelho e gostar do que vê?




Estar bem com seu corpo é estar bem consigo mesmo. Por isto, a constatação de que tudo está ótimo gera tanto prazer. Mas chegar a este estágio não é tão simples quanto prometem aquelas dietas de 7 dias que são vendidas na TV. A boa relação com nosso corpo é algo que envolve diferentes aspectos do nosso comportamento que vão desde a alimentação até uma boa administração do nosso emocional.

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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O pújá no nosso dia a dia




Quando somos crianças a presença de heróis é uma constante em nossas vidas. Nessa fase nossa imaginação é muito fértil e nos permitimos ser quem queremos. O herói é uma representação da grandiosidade do potencial humano, no fundo sabemos que podemos ser muito mais do que aquilo que estamos manifestando no momento.

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terça-feira, 22 de setembro de 2009





Por Daniel De Nardi

Os mudrás – gestos do Yôga – são a primeira ferramenta que o iniciante tem acesso dentro do ady ashtanga sádhana. Dependendo do objetivo podem ser classificados como reflexológicos, simbólicos ou magnéticos.


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sábado, 19 de setembro de 2009



Por Daniel De Nardi

Segundo o Sámkhya, filosofia especulativa naturalista que surgiu na Índia há 5000 anos, existia no início do cosmos apenas uma partícula condensada de consciência, que eles chamaram de Púrusha, que se traduz por homem.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

KARMA




A lei universal de causa e efeito que os hindus chamam de karma sempre fez parte do conhecimento intrínseco do ser humano. Aqui no ocidente, este conceito é exemplificado pela famosa expressão “colherás aquilo que plantou”. E como toda ação gera uma reação, nosso destino vai sendo traçado cotidianamente de maneira bem mais previsível que imaginamos.
Se queremos mudar o rumo de algum aspecto da nossa vida, temos que antes de mais nada, conhecermos os fatores que motivam nossas ações.

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terça-feira, 16 de junho de 2009

Instrutores do Método DeRose investem em aprimoramento





No último domingo 25 instrutores do Método DeRose participaram de um curso de Redação com o professor JB Oliveira. O curso teve início às 9h e foi até às 18 h.
No chamado "dia de descanso" pudemos usufruir de uma aula animada, dinâmica e divertida e relembrar algumas regras gramaticais, atualizar-se no novo acordo ortográfico e colocar em prática os conceitos da redação.
Abaixo os textos que foram produzidos pelos grupos.


Dinâmica 1

Como o Yôga funciona? – Vivi, Gabis, Nina, Patrícia, De Nardi, Tati, Renata, Che e Marina
Quando se fala de Yôga, o conceito que vem à mente das pessoas em geral é equivocado. A culpa não é nossa.
Durante milhares de anos essa filosofia foi modificada. Em um momento, pelas invasões sofridas em seu país de origem, a Índia. Em outro por modismos, influências culturais e mudanças históricas.
Pense o seguinte: há mais de cinco mil anos, quando o Yôga surgiu, não existia a preocupação de como ele funcionava. Por que se preocupar com isto hoje? O Yôga é uma filosofia de vida prática.
Este tipo de questionamento só nos faz desviar do propósito original. O Yôga é Yôga! Se funciona ou não, somente a experiência de cada poderá dizer.

Por que o Yôga? – Marina, Elvis, Luis Gustavo, Fernanda, Djalma, Vinicius, Patrícia e Marina
Existe uma tendência natural do ser humano pela busca do aprimoramento e evolução. A civilização evolui em diversos aspectos: social, cultural, econômico, profissional e científico. No entanto, pouca importância é dada para o desenvolvimento pessoal.
O Método DeRose contempla o bom relacionamento entre as pessoas, delas com outros seres e a natureza. Através de uma cultura milenar que utiliza técnicas e conceitos promovendo o aperfeiçoamento multilateral daquelas que adotam tal estilo de vida.

O que é o Yôga? – Rosana, Ana Paula, Will, Dantas, Gi Setti, Dani Borges, Nilzo e Gi Correa
O Yôga é um termo sânscrito que significa união.
A definição mais aceita mundialmente diz que: “Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi (autoconhecimento)”.
Esta frase foi lapidada pelo Mestre DeROse no século passado.
O Yôga é uma filosofia prática, da Índia antiga, que compreende técnicas orgânicas, respiratórias, concentração e meditação, entre outras. Essas técnicas conduzem a um estilo de vida mais saudável.
Atualmente, o Yôga tem sido procurado por pessoas jovens, dinâmicas, desportista, artistas, que buscam o que há de melhor para si.
Curiosamente, devido ao mau uso do termo, nós, representantes do Método DeRose, evitamos a utilização da palavra Yôga.


Dinâmica 2

Desenvolver texto Narrativo sobre Descrição – Grupo 1: Dantas, Will, Ana Paula, Daniel Borges, Nilzo, Gisele Setti e Gisele Correa
Uma tarde com um aluno brilhante
Há dez anos ministro curso de formação profissional para instrutores do Método DeRose.
Certa vez, em uma dessas classes, um dos meus alunos mais aplicados, Daniel De Nardi, indagou-me: “Professor Nilzo, como faço para descrever no meu blog minha viagem para Nova York?”. Aproveitei a oportunidade para esclarecer a toda a turma como elaborar um texto descritivo: “Queridos alunos, um texto descritivo, como o nome sugere, deve ter o cuidado de descrever e transmitir características, qualidade e impressões sobre algo. Naquele instante os olhos de De Nardi brilharam. Em questão de segundos tive a impressão de que ele se transportará para um musical da Broadway, talvez Chicago. Estava certo.
Então perguntou-me: “Para descrever a experiência que tive naquela noite tenho que falar do teatro, da comida, das músicas que não saem da minha mente, e das dançarinas?”.
Aquele comentário me deixou satisfeito e pensei: “Que aluno brilhante!”. Aproveitei para complementar que se ele incluísse emoções às suas palavras ele levaria o mesmo sentimento vivido por ele aos leitores do seu blog.
Entusiasmado como sempre, ali mesmo, começou a escrever e nunca mais parou.

Redigir um texto descritivo sobre Narração – Grupo 2: Virginia, Gabriel, Nina, Patrícia, Renata, Tati, Daniel De Nardi e Cherrine
A narração foi uma das primeiras formas que o homem encontrou para transmitir suas ideias. Uma vez não tendo conhecimento da escrita, usou o ato de narrar para comunicar verbalmente o que sentia, observava ou vivenciava dentro de uma história real ou imaginária.
Com o advento da escrita, a narração tornou-se uma forma de redação. A partir da Odisséia de Homero – a primeira obra literária do Ocidente – os escritos descobriram que contar uma história é a forma mais envolvente de transmitir às pessoas a sua mensagem.
Narrar é uma forma de comunicar-se com o mundo utilizando a escrita ou a verbalização. É imortalizar uma história, é compartilhar experiências, é tornar o mundo imaginário ainda mais real.

Produzir um texto Dissertativo sobre Comunicação escrita – Grupo 3: Marina, Elvis, Djalma, Fernanda, Vinicius, Patrícia e Marina Engler
Todo conhecimento é corruptível. Onde há interpretação pode haver equívoco.
Toda e qualquer forma de comunicação é passível de deturpação, entretanto, a escrita é a que gera registros mais fieis aos conceitos, ideias e valores.
Ao longo da história, muitos pensadores e filósofos não registraram seus conhecimentos, transmitidos através da interpretação de seus seguidores. Sócrates, Jesus e até mesmo Shiva*, certamente não imaginaram que fragmentos de suas idéias gerariam tantos conflitos, seitas, religiões e guerras.
Tal é a força da palavra escrita, que durante o período mais obscuro da história da humanidade, a idade das trevas, os livros eram considerados heréticos e queimados em praça pública, ou enclausurados pelos detentores do poder.
Escrever é uma forma efetiva de contribuir com a evolução da humanidade. Idéias registradas conquistam a imortalidade!
* Shiva: nome atribuído ao criador mitológico do Yôga.


Daniel De Nardi



quinta-feira, 4 de junho de 2009

Fest-Yôga e Iron Man tudo numa mesma ilha



Tive a sorte poder frequentar no mesmo final de semana em Florianópolis dois eventos bastante motivantes: o Festival Internacional de Yôga que acontece todos os anos na Praia dos Ingleses e o Iron Man que também tem sua largada anual bem próximo dali, em Jurerê Internacional. Apesar de parecerem destoantes, estas duas modalidades se assemelham em diversos aspectos. A começar por uma disciplina ferrenha que tanto os yôgins, que se dedicam seriamente a esta filosofia, quanto os Iron mans possuem. Nos dois casos, a dedicação e o amor pelo que fazem são muitas vezes incompreendidos pelos demais mortais.

Durante a prova do Iron, meu avô, que me fazia companhia no evento, indagou “Eles não possuem patrocínio?” Poucos, menos de 10% dos 1500 atletas que se jogaram na água fria do mar naquele domingo escuro possuíam algum tipo de incentivo financeiro. Os demais são empresários, profissionais liberais, engenheiros e fazem aquilo tudo por puro life style. Também é comum as pessoas estranharem o fato de um praticante de SwáSthya Yôga seguir as orientações desta filosofia, mesmo estando integrado “ao mundo real”. Pensam que tanto os Irons quanto os yôgins não possuem profissões e que estes últimos ainda vivem isolados na montanha se alimentando de luz. Quanto estereótipo!

Mas no que mais os SwáSthya Yôgins e os Irons se assemelham é que por buscarem objetivos extremamente audaciosos visam a alta performance em tudo o que fazem. É difícil dizer se nadar 3600 metros, pedalar 180 km e depois de tudo isto ainda correr os 42km de uma maratona é mais difícil de se alcançar que a meta da filosofia indiana, um estado de consciência denominado samádhi e que representa a hiperconsciência ou mega lucidez.

O que podemos aprender com estes dois estilos de vida é que para se alcançar qualquer grande objetivo em nossas vidas, precisamos manter uma prática enérgica e cultivá-la por um longo período de tempo, sem interrupção e com profunda dedicação e também é necessário subjugar a compulsão pelas dispersões, que certamente aparecerão para nos tirarem do caminho.



Daniel De Nardi


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Respire!!!!





Dentre todas as dicas que podemos dar em relação à qualidade de vida a mais importante delas é: RESPIRE!!!

Respirar é algo que nos acompanha desde o momento em que saímos do ventre da nossa mãe e irá conosco até o último suspiro de vida. Não obstante, esse importante ato vital passa despercebido no nosso dia-a-dia. Mesmo sabendo que o ser humano é capaz de passar dias sem comer, horas sem beber líquido e não suportar minutos sem respirar, não damos à respiração a devida importância que ela merece.

A oxigenação do sangue que uma boa respiração proporciona é imprescindível para uma vida saudável. Para aprimorá-la, seguem algumas dicas:

1. Sinta mais o toque do ar em suas narinas;
2. A entrada do ar não acontece por uma força feita nas narinas. É a movimentação de músculos (abdominais, intercostais e torácicos) que faz o alento ir e vir.
3. Comece treinando a respiração abdominal. Deitado, coloque as mãos no abdômen e sinta que ao inspirar seu abdômen se projeta para cima e ao expirar ele baixa. Esta parte da respiração é responsável por cerca de 60% da nossa capacidade pulmonar, no entanto é desprezada por quase todas as pessoas.

Respirar é viver. Quem respira melhor, vive melhor. quem respira com mais amplitude vive mais plenamente e quem tem mais consciência da sua respiração, amplia não apenas a consciência corporal mas também a emocional e mental.

Faça bom uso das dicas e valorize mais a vida que penetra constantemente por suas narinas.


Daniel De Nardi


terça-feira, 26 de agosto de 2008

O que nos espera após a Era da Informação?




Em 1956, o sociólogo americano Daniel Bell detectou que naquele ano, nos Estados Unidos, o número de trabalhadores chamados de colarinhos-brancos havia ultrapassado o de operários. Ao perceber esse fato tão relevante advertiu: “Que poder operário que nada! A sociedade caminha em direção à predominância do setor de serviços.” Por isso, este ano é considerado por muitos estudiosos o início da Era da Informação. Peter Drucker, renomado consultor de empresas e autor de dezenas de livros sobre o tema, foi o primeiro a denominar assim o período histórico que vivemos até hoje. Mas Drucker acreditava que a Era da Informação tinha começado pelo menos 10 anos antes, com a atitude dos soldados americanos de, após voltar da II Guerra Mundial exigirem, ao invés de um emprego, colocações em universidades. Hoje isso pode parecer óbvio, mas na época foi marcante, visto que aqueles que voltaram da I Guerra aspiravam apenas um emprego estável. Por volta de 1945, o conhecimento estava começando a ser mais valorizado do que o trabalho manual.

Em 1980, Alvin Toffler, um dos mais influentes futurólogos do mundo, escreveu um livro denominado A terceira onda. A idéia central era que a humanidade havia passado por três movimentos de grandes transformações. A primeira onda – com o desenvolvimento da agricultura - a segunda onda - com a Era Industrial - e estava passando por uma terceira onda que ele chamou de Era do Conhecimento.

Toffler explica que, devido ao aumento na velocidade das mudanças, a tendência é que cada Era seja mais transformadora e também mais curta que a anterior. Considerando que o primeiro representante do Homo sapiens sapiens, o homem de Cro-Magnon, tinha aproximadamente 35.000 anos de existência e que a agricultura só foi descoberta há 12.000 atrás, permanecemos 23000 anos como caçadores e coletores na Idade da Pedra. Já a Era Agrícola durou menos da metade desse tempo, 11000 anos, e foi deixada para trás, com o início da produção Industrial, na segunda metade do século XVIII. Não obstante, o período em que a geração de riquezas veio prioritariamente da produção nas fábricas perdurou por apenas 200 anos abrindo espaço para a Era da Informação iniciada entre as décadas de 40 e 50 do século XX.

A primeira Era durou 23000 anos. A segunda 11000. A terceira 200.
Quanto tempo resistirá a Era da Informação? E qual será a próxima?

Todas essas grandes transformações são reflexos de vontades e desejos das pessoas. Somando-se estes anseios de cada indivíduo, criam-se as mudanças comportamentais, que fazem com que uma Era termine e dê início a uma outra. O início da Era Industrial, por exemplo, aconteceu num momento em que o homem começou a sentir necessidade de utilizar roupas mais confortáveis. Os ingleses foram os primeiros a perceberem isto e a ter infra-estrutura para produzir grandes fábricas de tear e distribuir seus produtos pelo mundo todo. Sabendo que são as vontades humanas que movem os mercados e geram essas grandes tendências, se cruzarmos a pesquisa do psicólogo Abraham Maslow sobre as necessidades humanas com as Eras de Toffler talvez tenhamos uma pista de para onde estamos indo.

A Pré-História

Quando a última Era Glacial, há 20.000 anos, nos tirou do nosso habitat natural que eram as árvores e caímos nesse território desconhecido chamado chão, nossa maior batalha era para mantermo-nos vivos. Éramos apenas alguns milhares de homo sapiens lutando pela sobrevivência. A caça se fazia necessária, pois nossa alimentação dependia diretamente do que conseguíamos caçar ou coletar. Tal como na escala das necessidades humanas de Maslow vivíamos o drama da primeira e mais básica das necessidades: as fisiológicas.


A Era Agrícola

Foi provavelmente uma mulher quem, há 12.000 anos, descobriu que se enterrássemos uma semente no solo, geraríamos frutos e comida sem necessidade de tanto esforço como acontecia com a caça. Desenvolvemos então a agricultura e, conseqüentemente, ampliamos nossa expectativa de vida. Afinal, a caça é uma atividade deveras arriscada, e ameaça até mesmo a vida do caçador mais experiente. Com aquela descoberta simples, mas revolucionária, a aldeã, havia suprido a segunda necessidade de Maslow: a de segurança.


A Era Industrial

A industrialização começou a aparecer no chamado século das luzes, o XVIII, e essa revolução surge de uma mistura de cientificismo, racionalismo e ironia. Vivíamos um momento de progressos em quase todos os campos científicos - na física, na filosofia, na biologia - e nas artes principalmente na música, período em que estiveram vivos ao mesmo tempo, Mozart, Beethoven e Haydn.

O desejo das pessoas era ganhar mais autonomia através do trabalho que gerasse riquezas, podendo assim suprir suas necessidades mais básicas. Tal como as demais Eras, a Industrial respeita a ordem das necessidades humanas do estudo de Maslow. Esta foi a primeira época em que tivemos a necessidade de trabalharmos em grandes grupos. O êxodo rural fez com que mais e mais pessoas se congregassem nas cidades. A massificação dos produtos e a produção em larga escala reforçavam a tendência da terceira das necessidades segundo Maslow: o agrupamento.

Essa Era, que se inicia timidamente na segunda metade do século XVIII e chega ao ápice por volta de 1850, pode realmente ser chamada de um período revolucionário já que nesta época a Inglaterra começa a produzir e exportar em grande quantidade diversos tipos de tecidos. Somente nessa década é que as pessoas se deram conta que toda a sociedade havia mudado. Nascia a Era Industrial.


A Era da Informação

Assim como aconteceu com a Era Industrial, em que somente depois de um século de existência é que as pessoas acordaram para as modificações que haviam acontecido no mundo, o mesmo vem acontecendo agora. Apesar de já estarmos há mais de 50 anos vivendo um novo paradigma social, a maior parte das pessoas não percebem isso e ainda mantém suas crenças alicerçadas no sistema antigo.

A Era da Informação está sendo mais do que uma mudança social. Ela é uma mudança na condição humana. Na nossa época, quantidade de esforço não significa mais resultado. Mãos calejadas não são mais sinônimo de trabalho honesto. Será a capacidade criativa e pensante, que sempre nos diferenciou dos demais animais, que determinará o sucesso das pessoas na economia mundial.

Para se ter uma idéia do delay na leitura dos acontecimentos globais, apesar do sucesso mundial de livros que tratam do assunto como O mundo é plano de Thomas Friedman e de muitos intelectuais colocarem a boca no trombone para falar disso, ao consultar a Wikipédia para obter informações para este artigo, me assustei ao me deparar com um texto de apenas três frases e ainda totalmente equivocadas a respeito da Era da Informação. Agora o que consta lá é contribuição nossa.

A característica da Era da Informação que mais salta aos olhos é que ela tem deixado de lado o mercado de massas para focar no indivíduo. A indústria e os serviços saíram da massificação para a customização, transferindo cada vez mais poder à individualidade. O valor de cada pessoa tem crescido muito nestes últimos anos. Hoje podemos acessar o site da Nike e montarmos nosso próprio tênis. Outro exemplo curioso é o filme Homem-Aranha que, ao ser exibido na Índia, teve o nome do herói trocado de Peter Parker para Pavitr Prabhakar (!), se passa em Mumbai ao invés de Nova York e o personagem não adquiriu seus poderes através da irradiação, mas por um ritual feito por um yôgin paranormal. Ou seja, personalizar para valorizar o indivíduo.

E isso bate mais uma vez com a teoria de Maslow, cujo estágio contempla a estima de cada pessoa.


O que teremos pela frente?

Todo período de transição de uma Era para outra gera atritos. Isso aconteceu com os primeiros agricultores que, tornando-se mais sedentários pela praticidade do cultivo da terra, reduziram seu espírito bélico e sofreram muitos saques dos povos mais bárbaros e menos desenvolvidos que ainda viviam da caça e da coleta. Mas foi somente com a expansão da agricultura para todos os povos que, uma vez estáveis em um único lugar, os homens conseguiram multiplicar a riqueza. A transição da Era Agrícola para a Industrial também gerou embates como a Guerra Civil dos Estados Unidos (1861-1865) na qual o sul mais conservador e voltado para a agricultura confrontou o norte sedento pela industrialização. A Era da Informação também sofre com a insistência em se manter paradigmas antigos. Observamos isto, por exemplo, na Indústria do petróleo que mantém um constante lobby para que sistemas mais inteligentes de energia não se propaguem no mundo. A sorte que temos é que o máximo que essas resistências farão é gerar atraso no processo, jamais detê-lo.

Podemos também prever que a Era da Informação criará empecilhos para que a próxima se sedimente. Provavelmente ela não aceitará que as pessoas possam viver com menos informações, que possam abrir mão de inovações tecnológicas e não aceitar que tudo o que é novo “eu preciso”.

Seguindo a linha de raciocínio, observamos que depois que o homem se alimenta e está saudável, ele busca segurança, uma vez seguro, sente a necessidade de fazer parte de algum grupo, posteriormente quer se destacar nesse grupo, e após ter preenchido todas essas necessidades, vai atrás da mais sofisticada das necessidades: sua auto descoberta, o imprescindível autoconhecimento que lhe possibilitara a plena realização pessoal.

Esse movimento já vem acontecendo em nossa sociedade. Hoje as pessoas têm valorizado mais a ética. Patrícia Aburdene, autora do livro Megatrends 2010, que aborda uma pesquisa sobre tendências do século XXI, conclui “ Surgindo das cinzas da crise, corrupção e desconfiança pública, ganha atração de milhões num movimento totalmente novo que visa revitalizar a ética e o espírito da livre iniciativa". Jovens escolhem seus trabalhos levando mais em conta a satisfação do que o ganho monetário.

Exploramos todas os cantos dos planeta, visitamos a Lua e agora, por meio de aparelhos, estamos futricando Marte. Contradissemos Demócrito (460 a.C. - 370 a.C.) e estudamos partículas menores que os átomos. Enfim, viajamos do infinitesimal ao infinito, sempre focados no que estava fora de nós mesmos. É compreensível que após essa imensa expansão façamos um movimento retrátil e comecemos a explorar o conhecimento que os indianos sempre viram como o mais importante - aquele que nos permita ser quem realmente somos, desatando as amarras de uma cultura que determina nossas ações e vontades para descobrirmos o que realmente nos agrada. Enfim, um conhecimento que proporcione felicidade acima de tudo.

Está chegando o momento de darmos o último passo na escada de Maslow, alcançar seu ápice, que por ser o último degrau, também será o mais difícil e talvez o mais duradouro. O que está por vir é mais profundo que as pesquisas tecnológicas de ponta, é mais sofisticado que os ultra-modernos aparelhos da NASA. O que temos para desvendar na próxima Era, tal como nos indica esse longo caminho que o homo sapiens sapiens vem percorrendo há pelo menos 35000 anos é que chegou a vez de preencher a última das necessidades de Maslow: o AUTOCONHECIMENTO.


Daniel De Nardi


quinta-feira, 10 de julho de 2008

A arte de contemplar a vida



A contemplação é um ato que acompanha o ser humano desde tempos remotos. Os povos sedentários - que habitavam um único terreno e nele permaneciam por muito tempo – possuíam este importante hábito. Uma vez que não pretendiam se deslocar, dispunham do tempo que precisassem para se deslumbrar com as maravilhas do mundo.

Observando por um longo período tudo o que estava à sua volta, os antigos conseguiam atingir uma percepção mais aguçada do Universo. Pois chegar à essência das coisas depende de muita atenção focada sem ser influenciado por qualquer outro estímulo.

A cultura da contemplação começou a ser prejudicada a partir do momento em que os povos nômades foram ganhando mais espaço na Terra, entre 4400 e 2900 a.C. época em que os agricultores da Mesopotâmia, Egito e Noroeste da Índia sofreram três invasões de pastores das estepes ou povo Kurgo. Estabelecendo-se nos locais apenas o tempo em que as reservas naturais preenchessem suas necessidades, esses ambulantes não pensavam no longo prazo, seja para construir uma civilização ou muito menos para gerar riquezas e tecnologias. Preferiam adotar uma atitude mesquinha de tomar dos que não eram exímios na arte bélica. E foi justamente essa necessidade de deslocamento dos povos o primeiro motivo que fez a pressão do Tempo interferir em nossas atitudes cotidianas.

Com a atenção voltada para o passar das horas, a contemplação começou a ser deixada de lado e não ser mais muito bem vista nas sociedades. Afinal, observar animais por um longo período de tempo, por exemplo, poderia ser interpretado como uma perda desse precioso recurso. No entanto, os orientais nunca deixaram de lado o ato da contemplação. Uma demonstração clara são as técnicas de concentração praticadas tanto nas artes marciais quanto no Yôga antigo, o qual possui mais de 52 métodos de meditação. Os Indianos que criaram esta filosofia sabiam que a única forma de expandir a consciência é deter a atenção num único som ou símbolo por um longo período de tempo. É preciso cessar a atitude de julgar ou de analisar para apenas contemplar, isto quer dizer, observar com prazer.

Do lado de cá no ocidente, depois de ter perdido um pouco do seu valor, a contemplação voltou a ser enaltecida na cultura grega na época de formação da polis. Apesar de cultivarmos uma imagem de que os filósofos gregos são altamente racionais, na verdade, o que eles mais enalteciam em seus discursos era a contemplação. Conforme nos explica Hannah Arendt, filósofa e pensadora política alemã “Contudo, a enorme superioridade da contemplação sobre qualquer outro tipo de atividade, inclusive a ação, não é de origem cristã. Encontramo-la na filosofia política de Platão... O próprio enunciado aristotélico dos diferentes modos de vida, em cuja ordem a vida de prazer tem papel secundário, inspira-se claramente no ideal da contemplação.” Os Pensadores Gregos colocavam essa atitude acima de qualquer outra atividade, chegando ao ponto desses filósofos anunciarem que toda a atividade era dispensável, inclusive a política, que eles tanto contribuíram para melhorar. Revoltados com tais declarações, os administradores públicos induziram toda a população a se voltar contra eles chegando ao ponto de levarem Sócrates a julgamento, forçando-o ao suicídio caso não desdissesse o que havia afirmado.

Nos dias de hoje a observação de obras de arte pode ser considerado um sofisticado exercício de contemplação. Ao visitar exposições você percebe que o mais prazeroso não é fazer uma análise da obra, mas simplesmente ficar a frente dela e deixar-se invadir pela maravilhosa sensação que proporciona a parada das ondas mentais. A obra em si pode até não significar muito para nós e nem mesmo ser o que podemos julgar como bela, mas será de extrema valia para as nossas sensações se tentarmos chegar à essência da arte apenas observando-a com prazer. Trazer a atitude contemplativa para o nosso dia-a-dia é relacionar-se com o tempo da mesma maneira que aqueles que mais aproveitaram a existência, os antigos povos sedentários, que tinham a ampulheta da vida em suas mãos e que por isso entenderam o que realmente o Universo representa.



sábado, 21 de junho de 2008

Nádí shôdhana e suas propriedades



Não é por acaso que este é considerado um dos principais respiratórios do repertório yôgi. Entendamos como a respiração alternada contribui para que o praticante melhore dois dos mais importantes processos para alcançar a meta do Yôga:

1) Estabilização da consciência;

2) Ampliação da energia sexual.

Para evoluir no samyama, técnica que engloba dháraná, dhyána e samádhi, é necessário que o sádhaka aprenda a aquietar seus pensamentos, focando-se em um único ponto. O nadí shôdhana contribui para isto, pois ao fazer inspirações e expirações lentas, conforme a descrição do exercício sugere, o praticante começará a estabilizar suas emoções e posteriormente reduzirá suas dispersões mentais. O meu monitor Charles Maciel, sempre brinca com o gesto característico do nadí shôdhana, quando alguém fica nervoso ou está agitado demais. Se além da respiração lenta associarmos um ritmo, potencializaremos a concentração. O ser humano é arrítmico por natureza e por isso, tem tanta dificuldade de permanecer focado em qualquer coisa que faça por muito tempo. Respiramos de maneira instável, nos movimentamos o tempo todo e se não somos treinados, não conseguimos nem mesmo batucar o ritmo de uma música simples até o final dela. Quando passamos a manter um tempo pré-determinado em cada fase da respiração, rompemos com essa tendência dispersiva e passamos a cadenciar nosso tempo biológico, o que contribui e muito para a estabilidade mental.

Com relação à ampliação da energia sexual, vale a pena ressaltar que o primeiro granthi, brahmá granthi, válvula de proteção que mantém a energia da kundaliní retida no múládhára chakra é relacionado ao corpo físico, tanto o denso como o energético. Somente quando este corpo encontra-se em perfeito funcionamento é que a válvula abre permitindo que a kundaliní dê seus primeiros passos pelo canal central, sushumná nadí, desenvolvendo os chakras e as potencialidades humanas. Mas para que isso aconteça, é necessário que os meridianos por onde toda a energia biológica irá percorrer dentro de nós estejam totalmente limpos. O próprio nome do respiratório, nadí shôdhana, já indica uma atuação neste sentido, uma vez que shôdhana se traduz por purificação. Também contribui para a ampliação da energia sexual a mentalização que normalmente é feita neste pránáyáma, na qual direcionamos o prána captado através de ida e pingalá - dois dos principais meridianos de energia do nosso corpo – até à base da coluna. Ao conduzirmos o prána para lá, estamos levando o alimento da kundaliní, aumentando a pressão na caldeira de energia que se situa nessa região, favorecendo a ascensão da energia ígnea pelo canal central, sushumná, até o sahásrara chakra, eclodindo numa experiência meditativa.

O nadí shôdhana sozinho não é capaz de conduzir o praticante à meta do Yôga, mas executado dentro da prática ortodoxa do SwáSthya Yôga desenvolverá os dois processos essenciais que citamos no início do texto: a supressão da instabilidade da consciência e a ampliação da energia sexual. A estabilidade será imprescindível para que se atinja o estado de dhyána, mas este só evoluirá até o samádhi se a kundaliní estiver bem desenvolvida.

Estes dois trabalhos simultâneos já seriam suficientes para nos dedicarmos com muito afinco a este respiratório, mas ele vai além disso. Ao alternarmos as narinas, sempre com os pulmões cheios e jamais com os pulmões vazios, conforme nos ensina o Mestre DeRose no CD da Prática Básica, estamos desenvolvendo as duas polaridades que possuímos; a masculina e a feminina, o emocional e o mental, a sensibilidade e a agressividade, fazendo com que depois de anos de prática, ampliemos nossa consciência para além do mundo do julgamento, do certo e errado, do claro e escuro. Somente quando sairmos da parcialidade poderemos vivenciar nosso verdadeiro Eu, uma vez que o púrusha não julga, ele simplesmente É.



quinta-feira, 12 de junho de 2008

O stress e o Yôga



Muitas pessoas procuram o SwáSthya Yôga para se desestressarem. Acreditam que com a hipotética tranqüilidade que essa prática proporciona, se livrarão dele ou pelo menos o reduzirão. Outros evitam esta nobre filosofia com receio de que sua agressividade diminua, deixando-os para trás nos desafios que a vida impõe.

Para desfazer essas confusões conceituais (que deixam stressado qualquer professor de Yôga) temos que entender primeiramente o que é o stress, como ele atua e de que forma o pranáyámá (respiração), o ásana (técnica orgânica), o yôganídra (descontração) e o dhyána (meditação) poderão contribuir para melhor administrá-lo.

Stress é um estado psico-orgânico gerado pela defasagem entre o potencial do indivíduo e o desafio que ele vai enfrentar. Se estivermos diante de uma situação na qual, com os recursos normais que possuímos, certamente sairemos derrotados ou mortos, o corpo começa a gerar uma grande quantidade de modificações orgânicas e psíquicas para que possamos pelo menos ter alguma chance de vencer.

Por isso, o stress em si não é algo ruim, pois ele poderá salvar a nossa vida ou nos fazer vencer um robusto desafio. O prejudicial é dependermos dele para enfrentarmos nossos desafios cotidianos. Afinal, para gerar tal estado o corpo sofre um desgaste enorme e precisa de tempo para se regenerar completamente. Com isso você entende que o que faz mal é o stress rotineiro, que acontece toda hora e que não dá ao corpo a oportunidade de se recuperar, minando o sistema imunológico.

No tempo em que vivíamos nas cavernas, o stress salvou milhares de vezes a nossa vida. Imagine esse frágil animal chamado Homem (vale lembrar que somos mais lentos que um rato, não sabemos nadar quando nascemos, não enxergamos à noite, não temos presas, não nos movimentamos rapidamente e nem temos vigor físico para lutar contra a maior parte dos mamíferos) passeando alegremente pela floresta. De repente ele se depara com um tigre.

Numa situação normal, sem dúvida, perderíamos essa batalha. Qualquer apostador que visse essa cena colocaria uma fortuna na mesa jogando que o tigre mataria o homem, e tão rápido que talvez ele nem tivesse tempo de tirar todas as fichas do bolso. Mas... ao ver o perigo eminente, o homem se estressa... descarrega uma enorme quantidade de adrenalina no sangue, seu coração bate mais rápido oxigenando sua células, suas pupilas se dilatam, aguçando sua visão, seus músculos se contraem, dando-lhe mais força e uma enorme tensão nervosa lhe possibilita pensar mais rápido para achar a melhor saída do perigo. Ele olha para frente... brigar nem pensar, olha para uma árvore... também não duraria muito. Então vê um pedaço de pau no chão, agarra-o, começa a movimentá-lo para os lados ameaçando o felino, aos poucos anda para trás para aproximar-se de um lago. Depois de alguns minutos de muito stress, o nosso herói se joga na água e se salva. Dando mais uma oportunidade para que nossa espécie se desenvolva.

Depois dessa inusitada situação o exausto primitivo talvez dormisse por uns dois dias até que seu corpo se recuperasse totalmente. Ele levaria um mês ou mais para se deparar com um desafio tão grande novamente. Até lá, já estaria reabilitado.

O problema é que hoje, enfrentamos grandes desafios todo dia. Por isto, neste lado da equação não há como atuar e a tendência é que eles até aumentem.

Desafio > Potencial = Stress

A intenção não é acabar com stress, pois situações difíceis sempre aparecerão em nossas vidas. Acho que se você está lendo este texto, na internet, não tem a intenção de se isolar no mato e viver como ermitão, e mesmo se assim fizer, vez por outra, talvez você se depare com um tigre. Portanto, para melhorar administrar o stress, precisamos reduzir a incidência dele no nosso cotidiano. Teremos que atuar na outra parte da equação.

A solução é ampliar o nosso potencial para que desafios que anteriormente ficavam abaixo da nossa capacidade e precisávamos da força extra do stress para vencê-los, agora passem a ser vistos de cima.

Potencial > Desafio = No Stress

É neste ponto que o SwáSthya Yôga pode contribuir. Através de técnicas como:

- Pranáyámás: com uma respiração mais completa e consciente vamos oxigenar nossas células e aumentar a quantidade de energia biológica. Você já deve ter notado que quando dorme pouco ou está muito cansado tudo se torna mais difícil, sua irritabilidade aumenta, pois você precisa do stress para as mais simples tarefas do dia-a-dia. Com mais energia, você vê tudo com mais facilidade e tem a certeza que pode enfrentar qualquer desafio.

- Ásanas: as técnicas orgânicas feitas com longa permanência e pouca repetição, contribuem para melhorar nossa resistência. Com isto podemos permanecer mais tempo enfrentando os desafios sem sermos vencidos pelo cansaço, que gera stress.

- Yôganídra e dhyána: A descontração consciente e a meditação possibilitam um breve, mas profundo, descanso para a nossa psique que passa o tempo todo trabalhando e praticamente não pára. Uma breve estabilizada da mente funciona como o reiniciar de um computador, depois do qual, tudo volta a funcionar normalmente.

Num mundo cada vez mais competitivo e com cada vez menos espaço para os mais frágeis, temos que buscar soluções que nos acrescentem no longo prazo. Assim como o stress, o uso de estimulantes pode nos trazer um acréscimo de disposição no curto prazo. Mas a que preço?

O ideal é que cheguemos a níveis de disposição e energia com as ferramentas que possuímos, sem perder nada, mas apenas acrescentando potencialidades à nossa personalidade.



quarta-feira, 28 de maio de 2008

Yôga e suas definições



É com imensa satisfação que escrevo o primeiro texto do que acredito que será uma verdadeira revolução na cultura do Yôga. Este blog irá reunir artigos de instrutores que se aprofundam no estudo e prática da nossa filosofia e que trarão aos leitores suas vivências, possibilitando-lhes uma carona em sua evolução. Será um lugar de muita troca de experiências e aprendizado mútuo.

Quando os antigos Mestres começavam a falar de um determinado assunto, faziam questão de definir o que entendiam por tal matéria. Patañjáli fez isso, pegando emprestada uma definição da Yôgashara Upanishad e disse que Yôga é a supressão da instabilidade da consciência. Uma ótima definição uma vez que buscamos no Yôga, através da estabilidade de todos os nossos planos de consciência, conhecer aquilo que realmente somos. O Mestre DeROSE determina que Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi. Como o Yôga é algo prático e sua meta é o estado de hiperconsciência, qualquer técnica que conduza a tal estado pode ser considerada Yôga, se não conduzir, mesmo que tenha esse nome, não é.

Minha capacidade de síntese ainda não alcançou o patamar dos grandes Mestres, mas vou me atrever a fazer a minha definição de Yôga.

Antes de qualquer coisa gostaria de esclarecer que o verdadeiro Yôga - não um Yôga fitness ou religioso, mas um Yôga puro, filosófico, que atue em esferas muito profundas do ser humano – não está nem perto de ser compreendido pela ciência atual. Talvez jamais nosso conhecimento intelectual chegue ao ponto de entender esse manancial de sabedoria em forma de técnicas que nos conduzam a estados de consciência que estão muito acima da mente racional. A ciência sempre desprezou a consciência e ainda a trata como um epifenômeno, portanto dificilmente conseguirá alcançar um nível de entendimento dessa ampla filosofia.

O Yôga é por excelência uma técnica que busca revelar-nos nossa verdadeira identidade. É um processo desencadeado pelas práticas de auto-percepção e de permissão que a mais íntima consciência se manifeste cada vez mais no nosso dia-a-dia. Sinto que quando estou num período de maior constância de práticas, meu cotidiano se torna um sádhana e, se passo um tempo sem praticar, acabo por me afastar de minha consciência e me torno menos eu mesmo e conseqüentemente menos feliz.

Talvez essa felicidade seja o melhor indicador para a evolução nessa filosofia. Uma felicidade que independe de situações externas, uma felicidade que necessita ser compartilhada e que com mais sádhanas se tona cada vez mais presente em minha vida.

Yôga para mim é isso. E para você?

Obrigado pela atenção e espero mais visitas suas por aqui, para que possamos tornar esse espaço virtual um local de compartilhamento de experiências e principalmente de alegria.